segunda-feira, 18 de junho de 2012


Projeto dinâmico lança desafio
de textos teatrais curtos, com
curadoria de Marici Salomão


O concurso - que acontece de junho a março de 2013 -  prevê o envio de textos de 20 minutos (de 8 mil a 12 mil caracteres, sem espaço). Aberto ao público em geral e gratuito, o Dramaturgias Urgentes envolve encontros com especialistas nos temas propostos, com criadores teatrais e leituras dramáticas.

Para o primeiro módulo, os interessados devem enviar textos sobre A Nova Classe Média Brasileira: Os Emergentes, entre 22 de junho e 2 de julho. Participam os dramaturgos Noemi Marinho, Leonardo Cortez e Alessandro Toller. O grupo de teatro convidado para as leituras dramáticas e o encontro sobre processos de trabalho com a platéia é a Companhia de Elevador Panorâmico, dirigida por Marcelo Lazzaratto.

Mais informações no www.dramaturgiasurgentes.com.br

Como instituição cultural, o CCBBCentro Cultural Banco do Brasil segue com a proposta de trabalhar com fomento da dramaturgia e formação de público para teatro, explorando sua potencialidade para debater temas contemporâneos. Nesta linha, investe em novo projeto, DRAMATURGIAS URGENTES, que teve sua semente plantada durante dez anos em atividade semelhante. Com curadoria da dramaturga e jornalista Marici Salomão e a característica de ser dinâmico, o projeto acontece  de Junho de 2012 a Março de 2013, é aberto ao público em geral, tem âmbito nacional e é gratuito. O site do projeto é www.dramaturgiasurgentes.com.br
 

O tema do primeiro módulo é A Nova Classe Média Brasileira: Os Emergentes. Abrindo o projeto, a exposição sobre o assunto será dada por Renato Ortiz dia 21 de junho, às 19h30, no CCBB. Para concorrer, os interessados podem enviar seus textos sobre o tema proposto para o site do projeto (que entra no ar no dia 11 de junho) entre 22 de junho e dia 2 de julho. Os 30 primeiros enviados receberão pareceres técnicos, depois de análise, dos dramaturgos Noemi Marinho, Leonardo Cortez e Alessandro Toller, ficando em seguida disponíveis no site.


O grupo de teatro convidado para as leituras dramáticas e para o Workshop sobre Processo Criativo com a plateia será a Companhia de Elevador Panorâmico, dirigida por Marcelo Lazzaratto dia 28 de junho, às 19h30, entrada franca. Os demais pareceristas, diretores e atores serão selecionados ao longo do desenvolvimento do projeto.
 

DRAMATURGIAS URGENTES propõe um olhar sobre a contemporaneidade do teatro brasileiro, incluindo um Concurso de Dramaturgia, com foco em assuntos atuais do País. O projeto envolve atividades como Encontros com Pensadores e criadores teatrais sobre os temas propostos, além de oito Leituras Dramáticas dos textos selecionados em cada etapa do Concurso. Ao longo do projeto, 130 textos receberão os pareceres técnicos, auxiliando a formação profissional dos participantes.


Aberto às pessoas em geral, o projeto terá 4 módulos ou 4 temas e prevê o envio de textos curtos (são de 8 mil a 12 mil caracteres, sem espaço), resultando em um tempo de 20 minutos de leitura. Cada módulo contemplará 4 encontros - um com um especialista, outro com um diretor de teatro e mais dois para a realização de leituras de 3 textos dramáticos cada. Todas as atividades acontecem no CCBB de São Paulo.
 

Em cada módulo, cada um dos pareceristas lerá 10 textos e juntos os três vão selecionar os 6 melhores, de acordo com os critérios do regulamento. Ao longo do projeto, 130 textos analisados receberão os pareceres técnicos.
 

Entre os objetivos do Dramaturgias Urgentes está estimular a escrita de peças de teatro de autores brasileiros voltadas à realidade nacional. Refletir sobre os problemas e as questões urgentes da sociedade brasileira e do mundo atual por meio da arte; aliar cultura e educação, ao propor a produção de pareceres técnicos sobre os textos criados para os autores brasileiros, que pouco têm acesso ao estudo da dramaturgia (e isso feito por dramaturgos renomados) também está entre as propostas.
 

Também estão entre os objetivos: divulgar a dramaturgia brasileira de autores jovens e veteranos; promover a interação entre público e plateia, a partir dos processos de trabalho dos artistas brasileiros; promover a interação entre público e plateia, a partir dos processos de trabalho dos artistas brasileiros, tão caros hoje ao teatro brasileiro, pela inventividade e sofisticação de técnicas.


Classificação indicativa: A participação no concurso é para maiores de 18 anos. A participação dos encontros com especialistas é livre. A participação dos encontros com atores é livre. As leituras dramáticas: a definir. Todas as atividades serão gratuitas.
 

Para Marici Salomão, Dramaturgias Urgentes “é um projeto de fôlego, composto por um concurso nacional temático de textos dramatúrgicos, encontros de especialistas e companhias de teatro com o público, e por leituras dramáticas públicas das peças selecionadas por uma comissão de dramaturgos, que emitirão pareceres aos textos inscritos”.
 

De acordo com a curadora, “é uma novidade, para um concurso de dramaturgia, oferecer ao autor brasileiro, de qualquer região do país, um parecer técnico sobre o que escreveu. É um grande diferencial. Aliás, este projeto tem alguns diferenciais: o fato de uma companhia apresentar seus processos de trabalho ao público, convidando-o à participação, é algo que ainda pouco acontece. Também na ponta final do projeto 2012, há o empenho desta equipe de trabalho de querer ver montado o melhor texto do ano de 2012. Enfim, é um projeto que pretende não só estimular a criação de novas peças – a partir de uma reflexão temática sobre assuntos que pautam o nosso dia a dia -, como provocar formas potentes de interação entre artistas de teatro e espectadores”. 
 

Marici Salomão, responsável pela curadoria e coordenação artística, explica “que a curadoria  define a linha de pensamento do projeto, detalha conceitos, desdobra ideias e pensa nos melhores nomes para compor as atividades. A coordenação artística auxilia a produção na execução das várias etapas de organização dessas atividades todas”.
 

Sobre a importância do projeto, Marcos Mantoan, gerente do CCBB-SP,  afirma que “desde 2002, com a criação do projeto Dramaturgias, o CCBB SP se debruça sobre a dramaturgia e sua relação com os criadores teatrais e o público em geral”. Para ele, “pensar o teatro hoje é também refletir sobre seu potencial de abordar as questões contemporâneas - e urgentes - da nossa sociedade. Um programa regular e anual potencializa as reflexões ao se tornar um processo, onde dialogam os artistas, os pensadores e público. A possibilidade de interação, seja no concurso de textos curtos, nos encontros ou nas leituras, pode transformar as partes envolvidas e materializar ao público o fazer teatral como um processo em construção, cheio de conflitos, angústias e esperanças”.
 

A respeito do conceito do concurso - baseado em temas palpitantes, textos curtos que traduzam a velocidade do mundo moderno e rapidez no envio -, a velocidade muitas vezes se confunde com superficialidade. Será que necessariamente? O que está por trás de tanta informação? O CCBB acredita que a reflexão é o meio mais eficaz de se relacionar com a contemporaneidade. O programa pretende utilizar a velocidade de nosso tempo, assim como nossas urgências cotidianas, em prol da interatividade, da sensibilidade e do debate. E tudo convergindo para a formação de novas plateias para o teatro.


1º Módulo – A Nova Classe Média Brasileira: Os Emergentes

a. Lança-se o tema e realiza-se a 1a. palestra dia 21 de junho, às 19h30, com Renato Ortiz.

b. encontro com atores e diretores com Cia Elevador de Teatro Panorâmico , com direção de Marcelo Lazzaratto – 28 de junho, às 19h30.

c. leitura de 3 textos – * 19/7

d. leitura de 3 textos – * 26/7
 

*nas duas últimas quintas-feiras de julho


2º Módulo – a ser definido

a. Lança-se o tema e realiza-se a 2a. palestra com especialista da área - dia 23 de agosto

b. encontro com atores e diretores – dia 30/8

c. leitura de 3 textos – 20/9

d. leitura de 3 textos – 27/0


 3º Módulo – a ser definido

a. Lança-se o tema e realiza-se a 3a. palestra com especialista da área - dia 18 de outubro

b. encontro com atores e diretores – 25/10

c. leitura de 3 textos – 22/11

d. leitura de 3 textos – 29/11



4º Módulo – a ser definido

1. Lança-se o tema e realiza-se a 4a. palestra com especialista da área - dia 17 de janeiro de 2013

b. encontro com atores e diretores – 31 de janeiro de 2013

c. leitura de 3 textos – 21/2/13

d. leitura de 3 textos – 28/2/2013



MARÇO de 2013 Divulgação dos vencedores
 

Para roteiro:
DRAMATURGIAS URGENTES no CCBB SP – 1º módulo
Exposição sobre o tema com Renato Ortiz
Dia 21 de junho, quinta-feira, às 19h30. Grátis.

Workshop sobre Processo Criativo
Companhia de Elevador Panorâmico dirigida por Marcelo Lazaratto –
Dia 28 de junho, às 19h30. Grátis.

Leituras Dramáticas dos textos selecionados
Companhia de Elevador Panorâmico dirigida por Marcelo Lazaratto –
Dias 19 e 27 de julho, às 19h30. Grátis.

Centro Cultural Banco do Brasil -
Rua Álvares Penteado, 112 – Centro – SP
Próximo às estações Sé e São Bento do Metrô

Informações: (11) 3113-3651 / 3113-3652.





quarta-feira, 30 de maio de 2012

BOM RETRATO DE FAMÍLIA


Camila Appel tem sua segunda peça, “Véspera”, encenada com ótima direção de Hudson Senna nos fins de semana no Teatro Itália. Tudo ocorre na véspera do natal, quando parte da família está se encontrando para resolver como fica a festa e coisas assim. Como em toda a reunião de pessoas tão íntimas, não faltam conflitos de todos os lados. Há entre pai e mãe e mais ainda entre filhos e pais, onde todos se comportam com a mais absoluta intimidade sem nenhuma cerimônia, como se cada um fosse dono da verdade e fim de papo.

Além de ótimos diálogos tudo transcorre numa sala lindíssima, de uma casa chiquérima, dando a impressão de a briga não é definitiva apesar do tom sem conciliação, como ocorre na maioria das famílias.  O mesmo pode ser dito dos figurinos ambos assinados por Márcio Vinícius e da iluminação como sempre irretocável de Paulo César Medeiros.

A primeira impressão é a de que espetáculo e texto não se levam a sério e só depois se conclui que como na maioria das famílias os conflitos parecem irreconciliáveis mas, no próximo encontro está tudo bem e esquecido, como se nada tivesse acontecido. Os atores estão bem nos papéis: Cris Nicolotti é convincente protagonista, seu marido o Tadeu di Pyetro e ainda, Jussara de Morais, Sílvia Lourenço e Rafael Maia.

Vale ver, afinal "only diamonds are forever".

                                            Maria Lúcia Candeias
                                           Doutora em teatro pela USP
                                           Livre Docente pela UNICAMP

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Maria Lúcia Candeias lança livro

Em A Fragmentação da Personagem, Maria Lúcia Levy Candeias traça o percurso histórico pelo qual se manifesta uma das mais destacadas tendências dos palcos e das experimentações cênicas contemporâneas, em que a personagem teatral passa por um processo de desconstrução e fragmentação, apontando para um teatro menos empostado e dependente de uma persona coesa e completa. Caminha-se na direção de uma construção menos totalizante, em que as partes ganham autonomia e significado próprios.

Concebida no final dos anos de 1980, a pesquisa mostra toda a sua atualidade e potência, ao ser confrontada com as mais recentes e relevantes montagens, que, em grande medida, confirmam as tendências nela apontadas e validam sua abordagem crítica, ao mesmo tempo sensível e rigorosa, constituindo-se em um instrumento valioso para os que estudam e praticam o teatro, tanto como tema de seus principais debates e não menos como fonte para os processos de renovação artística na cena.


Maria Lúcia Levy Candeias - Crítica teatral e professora, formou-se em Artes em 1973, pela eca-usp, onde defendeu o mestrado em 1990 e o doutorado em 1997. Pela Unicamp, tornou-se livre-docente em 2006. É professora dessa instituição e mantém uma coluna de crítica no site Aplauso Brasil e na newsletter Colunas e Notas. Publicou Duas Tábuas e Uma Paixão: O Teatro Que Eu Vi (coleção Aplauso, Imprensa Oficial, 2006), reunindo críticas de sua coluna no jornal Gazeta Mercantil, entre 1997 e 2002. Foi uma das curadoras do Festival Ibero-Americano de Teatro de 2011.

DELICADA, DIVERTIDA E INSTIGANTE

Reunir essas qualidades num mesmo texto teatral não é pra qualquer um, mas é simples para Neil Simon, o campeão dos sucessos na Broadway. Nascido em 1927 escreveu peças como “O Estranho Casal” e “Hair Spray” seus sucessos mais recentemente montados por aqui. Agora estreou em SP “A Garota do Adeus”. Peça que merece como quase todas as obras (“Descalços no Parque” e “Jesus Cristo Superstar”) entre outras da enorme coleção do autor, o título que escolhemos para esse artigo. O enredo trata de uma senhora Paula, abandonada pelo marido, o qual simplesmente subloca a própria casa, onde ela e a filha moram. Fazer o que? Era ele quem tinha assinado o contrato...


O responsável pela ótima adaptação é Edson Fieschi que também interpreta o novo locatário com brilho e tem que se acertar com a protagonista Paula a cargo da maravilhosa Gabriela Duarte, cuja filha, na peça, Júlia Gomes, de tenra idade, promete ser uma futura Fernanda Montenegro. Em papeis secundários Nilton Bicudo ( que está dando um verdadeiro show em “Coisa de Louco”, peça nova de Fauzi Arap) e Clara Garcia que interpreta uma bailarina um pouco atriz convincentemente. Além de emplacar na direção de elenco, Elias Andeato, bem cercado de profissionais experientes: o cenário é de José Dias, o figurino de Fábio Namatame . A luz é do famoso produtor Mário Martini que surpreende quem não o conhecia por esse dom.

Por essas e outras não deixe de ver. É mais um grande acerto do Teatro Renaissance que não costuma errar no repertório, em cartaz às sextas (21,30hs) sábados (21hs) e domingos (18hs).

Maria Lúcia Candeias, doutora em teatro pela USP, Livre Docente pela UNICAMP.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

INCRIVEL, MAS EQUUS CONTINUA ATUAL


A peça “Equus” de Peter Shafffer estreou em São Paulo em 1975, sob direção de Celso Nunes interpretada  por Paulo Autran e Ewerton de Castro. Ficou dois anos em cartaz por aqui, com mudança de elenco e depois fez também grande sucesso no Rio. Posteriormente foi montada por outros diretores. O espanto é que mesmo depois de tantos anos é super atual. Não enfoca apenas o psicótico (Leonardo Miggiorin),mas os transtornos que ele causa em seu psiquiatra (Elias Andreatto). Um texto imperdível e com excelentes atores, inclusive como coadjuvantes, há nomes de peso como Patrícia Gaspar e Mara Carvalho.

Dirigida por Alexandre Reinecke, além de caprichar na atuação do elenco, a montagem tem excelente cenário que se movimenta quando os envolvidos mudam, criado por André Cortez,  figurinos cem por cento adequados de Renata Young. 

Como se não bastasse, a iluminação do mestre Paulo Cesar Medeiros é como sempre de muito bom gosto, o mesmo podendo ser dito da trilha sonora da tarimbadíssima Tunica. 

Por tudo isso, foi uma ótima opção para a reestreia do Teatro Folha que, não parece ter mudado quase nada, exceto pela parte superior da plateia. Será que modificou a luz? Quem não entende da área não percebe muito. Mesmo assim não deixe de ver.

Maria Lúcia Candeias
Doutora em teatro pela USP, Livre Docente pela Unicamp.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Istambul Agora

Fotos do lançamento do festival Istambul Agora, ontem, 11 de abril de 2012, no SESC Pompeia. Apresentação da bailarina Lena Beaty, do curador e músico Ilhan Ersahin, entrevista para o programa Metrópolis, da TV Cultura.com Talita Miranda, também curadora. Danilo Santos Miranda, diretor do SESC, e a entreda da mostra de Ara Guller, o olho de Istambul.  Veja a programação no www.artepluralweb.com.br








terça-feira, 10 de abril de 2012

A PLATÉIA BATE PALMA E PEDE BIS



E não é para menos. Parece que a gente está participando de um show maravilhoso e íntimo que nos apresenta pessoalmente ninguém menos do que Marlene Dietrich. Tudo bem simples sem os exageros da Broadway. Mas em compensação Sylvia Bandeira nos leva para passear na Alemanha, na França e até no Brasil, cantando as músicas da época tão bem que não dá pra saber se quem canta melhor “Rien de Rien” é ela ou a Edith Piaf. É simplesmente fantástico, ainda mais que contracenam com ela José Mauro Brant, Márcia Luna Cabral e Silvio Ferrari – os três com larga experiência em musicais – fazendo papéis variados neste e surpreendendo  o tempo todo pela qualidade do trabalho seja como atores seja como cantores.

Com enorme eficiência também se apresenta o trio musical que inclui piano (Roberto Bahal), violoncelo (Jefferson Martins) e clarinete (Fernando Oliveira) que num teatro íntimo como o Nair Belo tem o mesmo efeito de uma grande orquestra e a vantagem de criar no público a ilusão de uma participação muito maior no espetáculo.

O ótimo texto foi escrito por Aimar Labaki  (autor de teatro e principalmente de novelas, jornalista e ex-crítico teatral) a direção surpreendente leva a assinatura de William Pereira que durante os últimos quatro anos só tem dirigido óperas. William se encarrega também dos cenários adequados que incluem algumas projeções de vídeo (ópera prima produções), quem se encarrega da iluminação é o fantástico Paulo Cesar Medeiros (que no caso cumpre seu papel sem que seu trabalho chame muita atenção, pois é tudo concebido para ser singelo) e os figurinos são de muito bom gosto de adequação, são de Marcelo Marques.

Há momentos em que tem-se a sensação de estar assistindo uma filmagem internacional executada na época da protagonista. Maravilhoso ! Ninguém deve perder.

                                                  Maria Lúcia Candeias
                                                 Doutora em Teatro pela USP, Livre Docente pela Unicamp.