terça-feira, 19 de julho de 2011

Delícia de peça, sob a batuta de Carla Candiotto



A Volta ao Mundo em 80 Dias



Desta vez, Carla Candiotto não economizou no repertório adquirido em mais de quinze anos de bagagem com a Cia Le Plat Du Jour. Em sua segunda direção fora do grupo este ano (a anterior foi Histórias por Telefone), a atriz imprimiu sua assinatura de forma ainda mais legível na inédita A Volta ao Mundo em 80 Dias. Quem conhece seu trabalho, reconhece a mão da atriz em toda a peça (nos mínimos detalhes), em cartaz no Teatro Alfa, aos sábados e domingos, 17h30.

Com inspiração na clássica obra de Júlio Verne, tem texto de Carla e Pedro Guilherme (mesma parceria de Histórias por Telefone) e criação de Carla e Cia Solas de Vento, formada por Bruno Rudolf e Ricardo Rodrigues, excelentes atores que coreografaram a peça também. Munida de conteúdo e das ferramentas estocadas nesses anos de estrada, Carla Candiotto criou um espetáculo divertido do começo ao fim.

Com um ritmo impressionante e boas tiradas de brincadeiras do universo infantil, a peça arranca boas risadas de crianças e adultos. Mais importante: seu conceito de encenação foi assimilado completamente pelos criativos da equipe (o mestre Wagner Freire na iluminação Olintho Malaquias no figurino, Exentrimusic na trilha sonora e Lu Bueno na cenografioa), que deram forma e unidade a todas as ideias de Carla Candiotto. Da cenografia ao figurino, toda a direção de arte é fruto do conceito concebido pela criatividade da diretora.

Ponto alto da montagem é o recurso de três câmeras de vídeo e projeção ao vivo, o que cria imagens inusitadas e traz uma dimensão fantástica aos episódios da historia. As imagens são transferidas do chão diretamente para a parede de fundo do teatro, dando a sensação de os atores estarem em um trem ou barco.

Para contar essa história, os atores partem de um lugar não definido e, ao longo do tempo, como tem necessidade de chegar em 80 dias, inventam e transformam seus transportes de um país ao outro para podere realizar essa aventura. Assim, manipulam sucatas de metal que ora viram vagão de trem ora se transformam em um barco ou até mesmo num elefante. Tudo para transportá-los para os diversos lugares dessa viagem.



(Maria Eduarda Toledo)

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