quarta-feira, 27 de maio de 2009

De Vita Sua, antes Teatro Enlatado

Se os Satyros e os Parlapatões deram um upgrade e tanto ao espaço, quando ali instalaram a sede de seus grupos de teatro, Marilia Toledo, Kleber Montanheiro e os atores da Cia da Revista estão colorindo ainda mais o cenário com idéias criativas. Apelido que o Miniteatro ganhou da vizinhança, "a princesinha da Praça Roosevelt" (eu diria Penélope Charmosa, em referência ao desenho animado A Corrida Maluca) recebeu o público na sexta-feira passada, estreia da peça De Vita Sua, com uma caneca de vinho e uma fatia de pão italiano. Charme para convidar o público a entrar no clima do espetáculo de Marilia, dirigido por Kleber, com base no livro O Monge no Divã, do psiquiatra e psicanalista David Levisky.

Lançado em 2007, faz uma análise psicanalítica do monge beneditino Guibert de Nogent a partir da autobiografia deixada por ele, intitulada De Vita Sua. Guibert, que viveu na Normandia entre 1055 e 1125, escreveu, durante todos os seus dias de dedicação à religião, um diário relatando suas percepções e dificuldades sobre os quatro estágios básicos da vida, infância, adolescência, idade adulta e velhice.

A encenação recria a atmosfera de um mosteiro católico na Idade Média Central, onde um monge – Guibert de Nogent -, prometido por sua mãe a Deus desde o nascimento, relata sua rotina, seus mais profundos sentimentos, medos, dúvidas, fraquezas, seus pecados, suas penitências e seu esforço sobre-humano em tentar compreender a vida que lhe foi imposta. Passeiam, pelas lembranças e imaginário do monge, a mãe adorada (imaculada, santa e ao mesmo tempo objeto de desejo, tentação e pecado), o pai morto, o tutor e carrasco, os companheiros de monastério, o divino e seus próprios anjos e demônios.

Cenário e figurinos mantem a estética da Idade Média, fazendo o público sentir como se entrasse no monastério, mas, ao mesmo tempo, há elementos imagéticos que trazem informações contemporâneas à cena. O contraponto moderno a essa atmosfera medieval também é dado pela trilha sonora, assinada pelo maestro Roberto Minczuk, atual diretor artístico e regente titular da Orquestra Sinfônica Brasileira da Cidade do Rio de Janeiro, do Theatro Municipal carioca, da Filarmônica de Calgary e diretor artístico do Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão.

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Antes da peça começar, o teatro ainda de portas abertas, uma estrutura, espécie de cabine individual, lembrando aqueles espaços onde se tira foto na hora, com as inscrições Drive-Thru, despertava a curiosidade de quem ia chegando. Tudo em frente ao Miniteatro. Um cardápio oferecia o menu de monólogos, ao valor de R$ 1,99 individualmente a cada espectador. De cara, ganhei um "combo", que o Marcio resolveu me dar de cortesia para que eu ficasse conhecendo melhor todos micro trabalhos de seu Teatro Enlatado.

Genial, incrível a proposta. Você entra, fecha a cortina e um ator interpreta só para você, em três minutos, um dos textos/pratos do dia. Trata-se de uma micro peça intervenção, em formato de drive-thru de lanchonete. Para ajudar na escolha, há uma vitrine em que os produtos (atores) ficam expostos. Os monólogos foram criados pelos próprios atores/intérpretes da cia, partindo do conceito inicial do grupo: provocar nas pessoas a sensação de suprir com rapidez e impessoalidade a sua necessidade do momento. Quem quiser experimentar, o pessoal do Teatro Enlatado monta sua tenda na Roosevelt, 108, sempre às sextas e sábados a partir das 21h. Valeu a noitada, nós quatro - eu, Sandra, Nei Nardi e Lica Keunecke – voltamos para casa de alma lavada, depois de comer uma pizza no Camelo, da Pamplona, e dar muita risada, aproveitando a sensação de alegria ingênua de um encontro de grandes amigos.

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Bola Preta

Na sexta, depois da notícia triste da morte do músico Zé Rodrix, falei com Lucia Rodrigues, ex-programadora artística do Supremo Musical. Por falar na casa de shows mais intimista e charmosa que São Paulo já teve, aconteceu de no dia seguinte a gente almoçar no restaurante do Américo Marques da Costa, o Bola Preta, na José Maria Lisboa esquina com alameda Campinas.

Foi uma delícia rever Américo – com quem tive contato por 8 anos seguidos, quando éramos a assessoria de imprensa do Supremo Musical. Uma caipirinha especial (de tangerina com limão siciliano), fora do cardápio, foi preparada pelo barman Ricardo, que me atendia no antigo restaurante da Oscar Freire com Consolação. Veio de lá também o cozinheiro, responsável pela receita da Picatta al Limone, prato preferido que eu costuma pedir antes dos shows.

Fomos atendidas com todo carinho pelo maitre Francisco. Quadros de Aldemir Martins nas paredes, os detalhes em madeira das portas, o balcão do bar, o segundo andar para os dias de calor, a área ao ar livre – ótima para happy hours -, o Bola Preta tem uma comida maravilhosa e um ambiente muito gostoso. Parabéns, Américo!
(Fernanda Teixeira)

4 comentários:

Anônimo disse...

Post plimplim, hein Fê?! hehehehe
Gostei do teatro drive-thru

Anônimo disse...

Post plimplim, hein Fê?! hehehehe
Gostei do teatro drive-thru

duilio disse...

Nossa ! Muita coisa neste blog, eu estava atrasado.

Fernanda Teixeira disse...

oi vanesas e duílio, bem-vindos, queridos! beijinhos!