quinta-feira, 26 de abril de 2012

INCRIVEL, MAS EQUUS CONTINUA ATUAL


A peça “Equus” de Peter Shafffer estreou em São Paulo em 1975, sob direção de Celso Nunes interpretada  por Paulo Autran e Ewerton de Castro. Ficou dois anos em cartaz por aqui, com mudança de elenco e depois fez também grande sucesso no Rio. Posteriormente foi montada por outros diretores. O espanto é que mesmo depois de tantos anos é super atual. Não enfoca apenas o psicótico (Leonardo Miggiorin),mas os transtornos que ele causa em seu psiquiatra (Elias Andreatto). Um texto imperdível e com excelentes atores, inclusive como coadjuvantes, há nomes de peso como Patrícia Gaspar e Mara Carvalho.

Dirigida por Alexandre Reinecke, além de caprichar na atuação do elenco, a montagem tem excelente cenário que se movimenta quando os envolvidos mudam, criado por André Cortez,  figurinos cem por cento adequados de Renata Young. 

Como se não bastasse, a iluminação do mestre Paulo Cesar Medeiros é como sempre de muito bom gosto, o mesmo podendo ser dito da trilha sonora da tarimbadíssima Tunica. 

Por tudo isso, foi uma ótima opção para a reestreia do Teatro Folha que, não parece ter mudado quase nada, exceto pela parte superior da plateia. Será que modificou a luz? Quem não entende da área não percebe muito. Mesmo assim não deixe de ver.

Maria Lúcia Candeias
Doutora em teatro pela USP, Livre Docente pela Unicamp.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Istambul Agora

Fotos do lançamento do festival Istambul Agora, ontem, 11 de abril de 2012, no SESC Pompeia. Apresentação da bailarina Lena Beaty, do curador e músico Ilhan Ersahin, entrevista para o programa Metrópolis, da TV Cultura.com Talita Miranda, também curadora. Danilo Santos Miranda, diretor do SESC, e a entreda da mostra de Ara Guller, o olho de Istambul.  Veja a programação no www.artepluralweb.com.br








terça-feira, 10 de abril de 2012

A PLATÉIA BATE PALMA E PEDE BIS



E não é para menos. Parece que a gente está participando de um show maravilhoso e íntimo que nos apresenta pessoalmente ninguém menos do que Marlene Dietrich. Tudo bem simples sem os exageros da Broadway. Mas em compensação Sylvia Bandeira nos leva para passear na Alemanha, na França e até no Brasil, cantando as músicas da época tão bem que não dá pra saber se quem canta melhor “Rien de Rien” é ela ou a Edith Piaf. É simplesmente fantástico, ainda mais que contracenam com ela José Mauro Brant, Márcia Luna Cabral e Silvio Ferrari – os três com larga experiência em musicais – fazendo papéis variados neste e surpreendendo  o tempo todo pela qualidade do trabalho seja como atores seja como cantores.

Com enorme eficiência também se apresenta o trio musical que inclui piano (Roberto Bahal), violoncelo (Jefferson Martins) e clarinete (Fernando Oliveira) que num teatro íntimo como o Nair Belo tem o mesmo efeito de uma grande orquestra e a vantagem de criar no público a ilusão de uma participação muito maior no espetáculo.

O ótimo texto foi escrito por Aimar Labaki  (autor de teatro e principalmente de novelas, jornalista e ex-crítico teatral) a direção surpreendente leva a assinatura de William Pereira que durante os últimos quatro anos só tem dirigido óperas. William se encarrega também dos cenários adequados que incluem algumas projeções de vídeo (ópera prima produções), quem se encarrega da iluminação é o fantástico Paulo Cesar Medeiros (que no caso cumpre seu papel sem que seu trabalho chame muita atenção, pois é tudo concebido para ser singelo) e os figurinos são de muito bom gosto de adequação, são de Marcelo Marques.

Há momentos em que tem-se a sensação de estar assistindo uma filmagem internacional executada na época da protagonista. Maravilhoso ! Ninguém deve perder.

                                                  Maria Lúcia Candeias
                                                 Doutora em Teatro pela USP, Livre Docente pela Unicamp.    

quinta-feira, 22 de março de 2012

Sonia Mota dirige espetáculo Cia Palácio das Artes, lembre deste nome!

 


Quando ouvir falar em Cia Palácio das Artes, não vacile, compre o ingresso! Com certeza, você assistirá a um espetáculo de dança deslumbrante! (Fernanda Teixeira)
O espetáculo comemora os 40 anos da Cia de Dança do Estado de Minas Gerais. Com direção artística de Sônia Mota, traz 23 bailarinos em cena, luz de Pedro Pederneiras, figurino de Fábio Namatame, cenário de Felippe Crescenti  e trilha sonora de Daniel Maia. A montagem ganhou o Prêmio SESC/SATED 2011 de Melhor Trilha Original e figurino
Passagem do tempo, celebração, luto, memória e transição. Esses são alguns temas abordados no espetáculo de dança contemporânea Tudo que se Torna Um, na nova montagem da Cia. de Dança Palácio das Artes, de Belo Horizonte, que se apresenta em São Paulo nos dias 21 e 22 de março, às 21 horas, no Teatro do SESC Vila Mariana.

Realizado pela Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais, por meio da Fundação Clóvis Salgado, com a parceria do SESC São Paulo, o espetáculo tem a direção de Sônia Mota, diretora artística da Cia. desde 2010, e integra a programação de comemoração dos 40 anos do grupo. O espetáculo venceu o Prêmio SESC/SATED 2011 de Belo Horizonte de melhor trilha sonora original, composta por Daniel Maia e melhor figurino de Fábio Namatame. 

A diretora Sônia Mota partiu da celebração de aniversário de formação do grupo e a ação do tempo como mote para a montagem do espetáculo. Propôs aos bailarinos que trouxessem imagens, ideias, escritos, sobre a celebração - e seu oposto, o luto. Pediu que revisitassem suas próprias coreografias, mas com uma visão critica. “Depois de 40 anos você pergunta o que fazer com tudo com isso? Como eu faria aquilo se fosse hoje? É uma espécie de luto do que não quer mais para sua vida e, ao mesmo tempo, o renascimento para coisas novas”, explica.

A montagem transita por diversos estilos (clássico, moderno, experimental e contemporâneo), evidenciando a metamorfose da companhia ao longo dos seus 40 anos. As criações cênico-coreográficas do espetáculo são assinadas pelos bailarinos, que levaram ao palco suas experiências pessoais, afetivas e físicas. As coreografias acabam revelando um pouco da trajetória do grupo.
Os bailarinos, em números solos ou em grupos, seguem um roteiro, mas tem liberdade para improvisar. “Uni as coreografias me baseando na cadência do tempo. Nas despedidas do passado e nas alegrias quem vem chegando. Uma coreografia arquitetônica sobre o tempo,” revela a diretora.
“O espetáculo discorre sobre a passagem do tempo. Do tempo cronológico, natural, orgânico, mecânico, permanente, de lutos e celebrações. Sobretudo do tempo que se esvai a cada segundo de nossas vidas”, completa.

Tempo e movimento
O cenário, todo manipulado manualmente, assinado por Felippe Crescenti, movimenta-se, de forma simples e precisa, demarcando por meio de 15 painéis translúcidos a passagem do tempo. O desenho de luz, de Pedro Pederneiras (um dos fundadores do Grupo Corpo), complementa o cenário trazendo texturas sutis para os movimentos dos bailarinos.

O figurino elaborado por Fabio Namatame é inicialmente composto por vestes requintadas que, aos poucos, vão se desmembrando, tornando-se cada vez mais minimalistas. “O tema principal do espetáculo é o tempo e suas variações então minha ideia central foi começar com figuras muito vestidas, com muita bagagem e depois despir até a essência, ou seja, o corpo,” conta Namatame. Para dar um efeito de volumes e formas desproporcionais usou materiais de plástico e sintéticos que causam um grande impacto visual.  São cerca de 60 peças, que ressaltam cada indivíduo cuidadosamente. “Elaborei sobreposições de tecidos e texturas pra conseguir um efeito abstrato”, diz.

A trilha sonora composta por Daniel Maia desafia a percepção sobre o tempo. “Usei compassos musicais pouco usuais. A música serve para comprimir e dilatar a nossa sensação de tempo, de tensão e temperatura das cenas”, explica. A diretora também pediu que trabalhasse com a memória afetiva do público. Para isso, compôs 14 composições originais e usou 4 músicas compiladas. Hello Goodbye e Ain't she sweet (Beatles), Strangers in the Night (versão do Cake) e um trecho de Verão (das Quatro Estações de Vivaldi). “Foi um desafio, manter coerência na transição de sons que as pessoas já conhecem para outras que nunca ouviram”, completa Maia.

Comemorando 40 anos
Em 2009, Sônia Mota foi convidada para desenvolver um projeto com a Cia. de Dança Palácio das Artes chamado 22 Segredos. A sintonia e empatia foram tantos, que, em seguida foi convidada para assumir a direção artística do grupo. Sônia Mota, que morava na Alemanha, voltou direto para Belo Horizonte.

“É uma Companhia muito heterogênea, com bailarinos entre 20 e 57 anos de idade, com experiências muito diversas: clássicos, contemporâneos, vindos da dança de rua - e vários tem formações paralelas: cientistas sociais, cineastas, obstetras. E isso me motivou. Gosto dessa mistura de gerações que torna o trabalho rico e diferenciado”, conta Sônia.

“Quando assumi, em 2010, a Cia estava completando 40 anos e minha proposta foi um projeto que celebrava esse momento”, relembra. O projeto foi chamado Zona 04 (40 ao contrario) e é dividido em 4 etapas. A primeira parte aconteceu em Belo Horizonte numa espécie de ocupação do Palácio das Artes. A segunda e terceira partes contam com uma exposição e um livro sobre os 40 anos da Cia. E a última parte é a montagem do espetáculo Tudo que se Torna Um.

Para a presidente da Fundação Clóvis Salgado, Solanda Steckelberg, a Cia. de Dança Palácio das Artes, nos últimos quarenta anos, trilhou variados caminhos estéticos, simbólicos, gestuais e temáticos no mundo da dança até chegar ao estágio atual com um repertório vasto de possibilidades. “Na trajetória da Fundação Clóvis Salgado, a dança cumpre um papel fundamental na reflexão sobre os rumos da arte contemporânea. Tudo que se torna Um chega ao público para celebrar a importância deste legado e comemorar os 40 anos de existência da Companhia”, completa.

Sobre Sônia Mota
Nasceu em 1948, São Paulo. Trabalha com dança desde 1963. Exerceu um papel decisivo na dança contemporânea brasileira como bailarina, professora e coreógrafa nas décadas de 70 e 80. Trabalhou 22 anos na Alemanha. Criou o método de dança Arte da Presença. A partir daí, Sônia passou a desenvolver suas próprias coreografias na cena livre de dança e teatro, recebendo, entre outros, os prêmios Governador do Estado e APCA como melhor bailarina. Em 2001 escreveu um livro sobre seu método e sua carreira artística. Desde 2005 trabalha na trilogia VI-Quaa-Tris sobre o feminino e, em março de 2010, assumiu a direção artística da Cia de Dança do Palácio das Artes de Belo Horizonte.

Sobre a Cia de Dança Palácio das Artes
A Cia de Dança Palácio das Artes é um dos três corpos artísticos mantidos pela Fundação Clóvis Salgado, ao lado da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais e do Coral Lírico de Minas Gerais. Foi fundada em 1971 pelo Governo do Estado e teve como primeiro diretor o mestre de balé e coreógrafo Carlos Leite. Durante 20 anos, dedicou-se a montagens de peças do repertório erudito e às óperas produzidas pela Fundação Clóvis Salgado. A partir de 1990, inseriu em seu repertório obras de coreógrafos nacionais e internacionais, como Jean Marrie Dubrull, Suzana Yamauchi, Eleo Pomare, Sônia Mota, Oscar Arraiz, Luiz Arrieta, Tindaro Silvano, Rodrigo Perderneiras, Henrique Rodovalho,Tuca Pinheiro, Cristina Machado, Mário Nascimento e Sandro Borelli. Desde março de 2010, sob a direção artística de Sônia Mota, a Companhia segue valorizando a potencialidade criadora dos bailarinos.

A Cia. faz parte da política da Fundação Clóvis Salgado de levar a cultura do Estado para além dos limites de Minas Gerais. O grupo já apresentou o seu trabalho em palcos de destaque nacionais e internacionais, nas capitas e em países como Cuba, França, Palestina, Jordânia, Líbano, e Portugal.

Para roteiro:
Tudo Que se Torna Um com a Cia. de Dança Palácio das ArtesDias 21 e 22 de março, quarta e quinta-feira,  às 21 horas, no Teatro do SESC Vila Mariana. Concepção e direção geral – Sônia Mota. Elenco - Bailarinos da Cia. de Dança Palácio das Artes e Rodrigo Antero (bailarino convidado do Ballet Jovem Palácio das Artes). Criações Cênico-Coreográficas - Alex Silva, Andrea Faria, Ariane de Freitas, Beatriz Kuguimiya, Caroline Alves, Cristiano Reis, Cristina Rangel, Dadier Aguilera, Eder Braz, Fernando Cordeiro, Ivan Sodré, Karla Couto, Lair Assis, Lina Lapertosa, Lívia Espírito Santo, Lucas Medeiros, Marcos Elias, Mariângela Caramati, Paulo Chamone, Peter Lavratti, Rodrigo Giése, Rodrigo Antero, Sônia Pedroso (bailarinos), Cláudia Lobo, Kênia Dias e Sônia Mota. Roteiro Dramatúrgico - Claudia Lobo e Sônia Mota.  Consultores - José Márcio Barros, Santo Herbário e Stélio Lage.

Assistência de Direção e Ensaios - Cláudia Lobo e Kênia Dias. Cenografia - Felippe Crescenti. Direção Cênica Dos Painéis - Marcio Alves. Operação dos Painéis - Thayson Augusto, Wander Rodrigues e Marco Aurélio da Silva. Cenotécnica - Artes Cênicas Produções Ltda e Centro Técnico de Produção – CTP. Desenho de Luz - Pedro Pederneiras. Assistente de Iluminação - Marcel Assis Bento. Figurinos - Fabio Namatame. Produção e Assistência de Figurinos - Gilda Quintão. Trilha Sonora - Daniel Maia. Sonorização – Sinergy. Concepção da Trilha de Depoimentos - Eder Braz. Vídeo - Rodrigo Campos | Transversal Vídeo. Seleção do Acervo de Fotos - Lair Assis. Fotos - Paulo Lacerda.  Produção e Coordenação Técnica - Marcio Alves. Assistência de Cenários e Figurinos - Nara Rezende. Produção Executiva - Carina Woldaynsky. Ingressos -  R$24,00 (inteira), R$12,00 (usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, professores da rede pública de ensino e estudantes com comprovante) e R$6,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes). Não recomendado para menores de 14 anos.

SESC Vila Mariana - Rua Pelotas, 141. Telefone - 5080-3000. Horário de funcionamento da bilheteria - Terça a sexta das 9h às 21h30, aos sábados das 10h às 21h30, domingos e feriados das 10h às 18h30. Informações - 0800 118220. Estacionamento - Veículos, motos e bicicletas - Terça a sexta, das 7h às 21h30; Sábado, domingo, feriado, das 9h às 18h30 – Taxas: R$ 3,00 a primeira hora e R$ 1,00 por hora adicional (matriculados); R$ 6,00 a primeira hora e R$ 2,00 por hora adicional (não-matriculados). Site - www.sescsp.org.br

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

KAFKA EM PESSOA


Essa é a sensação do espectador que se senta na platéia para assistir  “A Construção”, em cartaz no SESC Pompéia, às sextas e sábados às 21hs e aos domingos às 19hs até 25 de março.


O monólogo, como tudo escrito pelo autor de “Metamorfose” e “Carta a Meu Pai”, tem a marca de um dos maiores escritores do século XX, e não apenas em língua alemã, embora seja Tcheco. Coisas do Império Austro-Húngaro que só acabou mesmo no final de primeira grande guerra. Kafka (1883/1924) foi o pai do expressionismo alemão que acabou por influenciar todo o mundo, tendência que se baseou também em Freud (1856/1939), mais velho do que Kafka, mas da mesma região, ambos judeus e, como tais, ameaçados pelo nazismo.

O brilho do texto que se acompanha pela interpretação perfeita e surpreendente de Caco Ciocler – um ótimo ator que tem feito pouco teatro – se deve também pela tradução, adaptação e direção de Roberto Alvim. São 50 minutos em que se mergulha na intimidade do grande mestre, participando inclusive de um pequeno surto, onde o personagem visualiza uma pessoa que não se pronuncia e mesmo assim tem presença marcante, personificada por Ricardo Grasson. A delicadíssima trilha sonora de Felipe Ribeiro cai como uma luva, assim como os dois discretíssimos trajes concebidos Marina Previato.

Quem conhece pouco Franz Kafka não deve perder de jeito nenhum, quem já admira sua obra, muito menos. Vale lembrar que são apenas 50 lugares razão pela qual é preciso não perder tempo, para se dar o prazer de uma grande arte.

                     Maria Lúcia Candeias
                    Doutora em teatro pela USP, Livre Docente pela UNICAMP

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Núcleo Experimental convida vizinhos para ir ao Teatro

Núcleo Experimental inaugura teatro na Barra Funda com proposta de instigar a vizinhança    A sede abre em março com As Troianas e a seguir apresenta o infantil premiado Canções de Amor em Rosa, de Fernanda Maia, e Judas em Sábado de Aleluia, de Martins Penna. Mais do que implantar conjunto de ações de cima para baixo, o grupo está aberto a interações com o bairro. A proposta é que o teatro se torne uma atividade real da vizinhança específica e um equipamento cultural importante para o bairro pela sua consistência e vitalidade de programação   Enquanto anota a placa do veículo que entra e dá o ticket para o motorista, o alagoano Ivan da Silva, 20 anos, se apressa em manobrar outro carro. Casado, pai de um filho de um ano, não vê a hora de terminar a reforma do imóvel em frente ao estacionamento em que trabalha. Morador do Centro, nunca foi teatro. “Para mim seria uma honra ser convidado.” Assim como ele, o público das redondezas da rua Barra Funda, nº 637, está na expectativa pela abertura do Teatro do Núcleo Experimental. Se depender da vontade da companhia de teatro, esse pessoal será sempre privilegiado como espectador das montagens da sede do grupo de mesmo nome, a ser inaugurada dia 1º de março com As Troianas- Vozes da Guerra – agora falado em português, de graça e com Patrícia Pichamone no elenco.   Na programação do novo espaço, a seguir, serão encenadas Casa Cabul e a inédita Bichado, que completa a Trilogia da Guerra. Localizado no bairro da Barra Funda, o Teatro do Núcleo Experimental ocupa uma área de 450 metros quadrados. Bem servido por transporte público, fica a poucos minutos da Estação Marechal Deodoro do Metrô e perto de linhas de ônibus que passam pela avenida São João, a duas quadras do teatro) e conta com estacionamento 24 horas em frente.   O teatro foi projetado como uma sala multifuncional, o que os ingleses e norte-americanos chamam de blackbox, com uma plateia móvel e modular, com capacidade para até 70 pessoas. A característica de ser uma blackbox oferece inúmeras possibilidades de relação palco x plateia. Um hall, com bar e café, servirá lanches e pequenas refeições temáticas, num cardápio rotativo que irá se relacionar sempre com a montagem em cartaz.   “Durante os 6 anos de existência do Núcleo Experimental, tentamos sempre um modelo de administração que pudesse render frutos a médio e longo prazo, fugindo do teatro como evento ou acontecimento pontual. Por isso, nossas montagens sempre ficaram em cartaz por bastante tempo e em sucessivas temporadas. Isso fez com que a nova sede pudesse ser planejada cuidadosamente e viabilizada inteiramente com recursos próprios da companhia”, explica Zé Henrique de Paula.   Equipamento cultural para a comunidade A interação diária e não invasiva, que possa consolidar um público local, é o desejo do diretor Zé Henrique de Paula, que, junto com os atores do grupo, arregaçaram as mangas e colaboraram na repaginação do espaço. Além da autonomia criativa e de produção da companhia, o que entusiasma Zé Henrique e os atores na relação com a nova sede é a possibilidade de "troca" de experiências com a comunidade do bairro.   Uma sede com espaço para apresentações é um diferencial de autonomia - a possibilidade de pensar a longo prazo, de colocar em cartaz um repertório, coordenar tematicamente as produções, pesquisar linguagem de maneira continuada. O pessoal do Núcleo está muito entusiasmado com a possibilidade de investir na consolidação de uma relação real com o público. “Especialmente no caso da sede da Rua Barra Funda, de interagir de maneira vívida e consistente com o entorno, propondo atividades que humanizem a cidade dura e costumeiramente hostil em que vivemos”, conta o diretor. A preocupação social de interferir com o entorno, com a comunidade do bairro vai mais longe. “Mais do que implantarmos um conjunto de ações de cima para baixo, impondo nossos pontos de vista, estamos abertos a que o bairro interaja conosco, sugerindo, visitando, fazendo com que o teatro se torne uma atividade real dessa vizinhança específica e um equipamento cultural que importe ao bairro pela sua consistência e vitalidade de programação e atividades.   Projeto de ocupação “A guerra, como a entendemos, pode parecer um assunto distante da realidade brasileira. À parte todas as interpretações mais metafóricas do tema (a guerra contra as drogas, a guerra no trânsito, a guerra contra a corrupção), mais comuns ao nosso dia a dia, pensamos a Trilogia da Guerra (As Troianas, Casa Cabul e Bichado) como uma reflexão em três momentos, especialmente sobre o tema do poder.”   “Discutimos a eterna relação entre opressores e oprimidos, vista sob o prisma de três autores em três momentos históricos (II Guerra Mundial, Guerra do Golfo e do Afeganistão) e como esses macroeventos podem repercutir nas vidas íntimas daqueles que estão no cerne do conflito ou na periferia do curso da História, do lado dos perdedores, dos vencedores ou dos que sofrem as consequências sem nem entender os motivos dessas lutas.”   Até o final do ano serão montadas, ainda, o infantil Canções de Amor em Rosa, de Fernanda Maia, e Judas em Sábado de Aleluia, de Martins Penna, obra do século 19. Os musicais sempre fizeram parte da programação e funcionam excepcionalmente bem como portas de entrada para a formação de público e democratização do acesso à atividade teatral.   No planejamento da agenda 2012, Zé Henrique e o pessoal do Núcleo Experimental cuidaram para que os musicais fizessem parte dessa programação, tanto para plateias adultas como infantis. Judas em Sábado de Aleluia foi transformado em musical com a adição de canções de Chiquinha Gonzaga. Enquanto Canção de Amor em Rosa traz ao público infantil o universo do cancioneiro de Noel Rosa.   Se depender do manobrista Ivan, assim como do cearense Ricardo dos Santos e do piauense Paulinho Pereira – colegas de trabalho no estacionamento da rua Barra Funda, nº 640, e virgens em matéria de teatro – o espaço do Núcleo Experimental já tem três candidatos a público.   (Fernanda Teixeira)    

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

QUEM TEM BOSSA VAI AO SESC


Wanda Sá e Os Cariocas estréiam show em homenagem a Tom Jobim no SESC Vila Mariana, que ficará em cartaz dias 19 e 20 de janeiro (quinta e sexta as 21hs) e depois se apresentará em outros espaços . É certo que Jobim (1927/1994) completaria 75 anos dia 25. Ou seja, viveu pouco e fez tanta coisa, principalmente tanto sucesso no mundo inteiro.

Os escolhidos para apresentar suas composições nesta homenagem são perfeitos. O Cariocas que além de ser um conjunto maravilhoso, em 62 lançou em primeiríssima mão, no famoso show da bossa nova no bar “Au Bon Gourmet”, nada menos do que “Garota de Ipanema” (Tom e Vinícius de Morais) o maior sucesso mundial do Brasil no exterior.

Wanda Sá, em 1963, aos 19 anos lançou seu primeiro vinil, intitulado “Wanda Vagamente”, incluindo uma música inédita do maestro soberano de todos nós (não só do Chico Buarque), cujo nome é “Inútil Paisagem”.
É o primeiro show que reúne Wanda e Cariocas em muitos anos. De modo que além da certeza da qualidade musical que apresentará, vai unir pessoas que dividem o samba de modo moderno, sem manter a batida de João Gilberto e, cada qual à sua maneira. A curiosidade é saber como balançarão juntos.

São características que tornam “Os Cariocas e Wanda Sá Homenageiam Jobim” uma experiência imperdível. É tratar de garantir seu ingresso, como sempre à venda em todos os SESCs, até se esgotarem.  Não percam.

                                                                           Maria Lúcia Candeias