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segunda-feira, 1 de março de 2010

Citando Clóvis Rossi


Acordei com um gosto amargo na boca, bílis, cabo de guarda-chuva, como minha mãe diz.

Quem discorda e quem concorda com a decisão do presidente Lula de se abster ao apelo dos presos políticos de Cuba, como aconteceu com Orlando Zapata, que morreu de greve de fome na última terça, 23? A resposta não vem ao caso, mas o silêncio sepulcral entrega.

Antes de Lula desembarcar na ilha, presos políticos haviam pedido que ele intercedesse junto aos irmãos Castro pela libertação dos dissidentes. Lula, entretanto, preferiu se abster do tema dos direitos humanos durante sua visita a Cuba.

Um dos mais brilhantes jornalistas brasileiros, Clóvis Rossi, disse tudo na edição de sábado, 27 de fevereiro de 2010, do jornal Folha de S. Paulo. Inteligente, culto, sábio, afirmou que "o silêncio cúmplice da esquerda brasileira mostra como é difícil desfazer-se de uma lembrança sentimental."

Para quem não leu, peço licença para reproduzir aqui alguns trechos. O respeitado profissional, em seu raciocínio, levanta pistas sobre a boca fechada do governo Lula a respeito das violações aos direitos humanos na ilha do Caribe.

"No fundo, é simples: a revolução cubana faz parte da memória sentimental da esquerda brasileira. E a esquerda brasileira, em seus mais variados matizes, está no poder desde a queda de Fernando Collor de Mello, no já remoto ano de 1992.

"Afinal, Castro e seus companheiros de certa forma fizeram a Revolução Francesa que a América Latina jamais fez nem antes nem depois. E não há nada mais sedutor do que o brado de liberdade/ igualdade/ fraternidade."

"De mais a mais, a América Latina e o Brasil foram, a partir de 1959, o ano do trunfo da revolução, uma seqüência de ditaduras militares fincadas a pretexto de evitar a ditadura de signo posto."

"Quem não gosta de ditaduras – e as pesquisas do Latinobarômetro revelam um suporte majoritário, embora oscilante à democracia - ficou emparedado entre criticar a cubana, o exercício favorito das ditaduras latino-americanas, ou apóia-la, por ser contra as demais. Ou calar."

"Ademais, é evidente que Fidel Castro sempre foi, visualmente, mais simpático que, por exemplo, Augusto Pinochet, além de ter uma aura romântica, já remota, é verdade, mas presente na memória sentimental do subcontinente."

"...Pode ser difícil para a maioria dos mortais jogar ao mar os sonhos que a memória guardou, mas não dá para negar o fato: a revolução virou um pesadelo. Silenciar sobre ele não traz de volta o sonho."

O jornal espanhol, El País, analisa a visita de Lula como um derradeiro gesto de apoio político e econômico a Cuba antes do fim de seu governo. O jornal ressalta que essa é a quarta viagem do presidente brasileiro a Cuba em seus oito anos de governo, e que o principal objetivo da visita é respaldar setores estratégicos da economia cubana, como a infraestrutura e o petróleo, no momento em que a falta de liquidez e a crise vêm afetando o governo da ilha. Ainda conforme o El País, não há espaço para os dissidentes na agenda de Lula, “um velho aliado do regime”.

A frieza de Lula, a insensatez de Marco Aurélio Garcia - “há problemas de direitos humanos no mundo inteiro” -, envergonham os brasileiros que acreditam que ninguém mais deve morrer de fome de liberdade.

Depois não adianta levantar bandeira de direitos humanos. Ditaduras, sejam de direita ou de esquerda, já na cabem no mapa mundi de hoje. Péssimo o presidente ser lembrado por esse episódio. Constrangedor até para quem, como eu, um dia votou nele e acreditou no idealismo que o um partido poderia mudar os rumos da história. Dá pra desculpar quando se é jovem e idealista.

Procuro não pensar. Às vezes é inevitável: como a popularidade de Lula bate recorde após recorde com histórias trágicas como essa? O Brasil, realmente.... Deve ser porque este exemplo da impunidade não faz a mínima diferença para o povo faminto e sem Educação, que precisa, sim, de comida, e que aceita, é óbvio que de bom grado, esmola, esmola, esmola.

Já sinto um aroma de tutti-frutti. Coisas do meu paladar infantil.
(Fernanda Teixeira)

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Nariz comprido ou perna curta?

Mentira tem perna curta ou nariz comprido? A questão veio à tona a propósito da estreia do espetáculo infantil Pinóquio, sobre o popular boneco de madeira que ganha vida após uma série de percalços, e cujo nariz cresce à medida que mente. Fantasiando sobre o tema, penso ser uma pena que o nariz não cresça nem as pernas diminuam, senão, pode crer, a gente ia flagrar muito baixinho/a narigudo circulando pelas ruas. Viveríamos num mundo esquisito, quem sabe mais justo.

Mentira ou verdade? Muitas vezes, a pergunta fica sem resposta. A importância de saber quem está falando a verdade ou quem tem razão, em determinada situação, pode mostrar, por exemplo, se determinado fulano ou fulana é chegado ao péssimo hábito da conversa fiada ou balela. E mentira é chato, vamos combinar? Tem a ver com caráter.

Quem já não se chateou por causa de uma? Na medida em que uma pessoa mente, a confiança nela depositada diminui. Quem já não deixou de confiar em alguém depois de descobrir ser o cara o maior 171? Fora que gera insegurança conviver com gente mentirosa. Você entregaria sua casa para uma faxineira mentirosa? No começo, se ela fica sozinha em casa, você presume que ela faça as tarefas. Não dura muito tempo até descobrir a camada de pó em cima da estante ou mesmo da TV da sala. Isso sem falar na geladeira, objeto, para elas, nascido grudado com super bonder no chão, tal a falta de atitude em arrastar para limpar embaixo.

Você, leitor, deixaria seus filhos aos cuidados de uma babá que não cultiva o hábito de faltar com a verdade? Imagine, não dá! 0 o cachorro você teria segurança de deixar ir passear com ela! Confiaria num sujeito que pede dinheiro emprestado com a desculpa de pagar a doença da mãe moribunda e depois nunca mais ver a cor dessa grana? Se for amigo, é da onça. E num chefe que promete um aumento sem nunca dá-lo? Ou no funcionário que mata a tia para faltar às segundas? Sem falar no político que troca voto por promessa de casa e, quando eleito, não cumpre? Tem, ainda, pastor que arranca o dinheiro suado do povo em troca do milagre e enriquece às custas da crença e da ilusão dos fiéis.

Nas coisas do coração, então, nem se fala. Será que alguém no mundo escolhe um companheiro/companheira chegado num papo furado? Não dá para fazer planos com um bofe ou uma gata com esses "talentos" duvidosos. Tem que ter cuidado na hora de escolher. Tudo na vida. Até em quem vai governar o País. Pode crer.

(Fernanda Teixeira)

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Sem razão

Cada vez me convenço mais de que quem precisa gritar ou colocar o dedo em riste na direção de alguém, para defender seu ponto de vista, perde totalmente a razão. Também não acredito nas boas intenções de quem não sorri.

(Fernanda Teixeira)

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Coisas irritantes

  1. Barulhinho de papel de bala durante a sessão de cinema ou teatro.
  2. Reunião de condomínio no meu prédio.
  3. Flagrar neguinho jogando lixo pela janela do carro.
  4. Pisar em cocô de cachorro na rua.
  5. Dono que não cata o cocô de seu cachorro na rua.
  6. Carro do vizinho chato estacionado na porta da garagem.
  7. Estar embaixo do chuveiro e lembrar que esqueceu de pegar a toalha.
  8. Não enxergar o ralo do box do chuveiro por ser míope.
  9. Se machucar ao raspar o braço no banho de chuveiro, também por ser míope.
  10. Tentar marcar exame em laboratório, esperar três dias para alguém atender a ligação e depois ter de dar mil vezes as mesmas informações sobre o plano de saúde.
  11. Deitar para dormir e perceber que está usando óculos.
  12. Chegar em casa de táxi e notar que esqueceu que estava de carro.

(Fernanda Teixeira)

sexta-feira, 6 de março de 2009

Desabafo

Uma insanidade a atitude do bispo da Igreja Católica, que excomungou os envolvidos no caso do aborto da menina de 9 anos, estuprada pelo pai. Enquanto isso, Fernando Collor de Mello volta com tudo, apoiado por ninguém menos que Renan Calheiros. Que País é este? Se Henfil estivesse vivo, pelo menos teríamos motivos para achar graça de um desses casos vistos pela lente irônica do artista. Também sinto falta daquelas músicas de protesto. Onde estão os artistas indignados? Nos EUA, a Califórnia vota contra a união dos homossexuais.....Que Primeiro Mundo que nada! É de quinta esse mundo!
(Fernanda Teixeira

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

A Fila da Febre Amarela

Ficar mais de duas horas numa fila para tomar a vacina contra a Febre Amarela, já que viajo para o Mato Grosso do Sul no carnaval, deixa de ser entediante quando se tem um Saramago e ouvidos apurados em captar a conversa alheia. Entre um capítulo e outro, uma abanada para espantar o calor e uma pausa para olhar as horas que correm, tive a "felicidade" de ouvir conversas absurdas, algumas até engraçadas.

Uma mulher na fila comenta com suas filhas em voz alta na expectativa de que alguém desista:
- Será que todo esse povo vai viajar paras as zonas de risco? Não é todo mundo que precisa tomar a vacina. Povo desesperado!
Ela consegue o que quer e alguém responde:
- Eu vi ontem no jornal que essa doença é contagiosa.
- Sim, mas só se o mosquito picar alguém infectado e depois te picar. Isso só acontece em regiões onde tem foco da doença. Não aqui em São Paulo.
- Ah minha filha, mosquito "avoa", viu.
Uma outra tentando entrar no assunto:
- Mesmo ficando em SP, correndo risco ou não vou tomar a vacina. Quando tinha 15 anos (hoje devia ter uns quarenta) não tomei o reforço da de sarampo e peguei a doença no primeiro surto que teve. Vai que esse mosquito chegue até São Paulo e me pegue. Do jeito que sou azarada...
Momentos antes de tomar a vacina, uma enfermeira vai até a fila e grita:
- Pessoas que fazem uso de medicamentos com corticóides, para tratamento de HIV, gestantes e alérgicos a ovo e derivados não podem tomar a vacina.
- Ufa! Não tenho nada disso. Nossa, como será para quem tem AIDS?
- AIDS? HIV não é AIDS? HIV é aquela doença de mulher.
- Fala baixo amiga, você tá pagando mico. É AIDS sim.
- Não é.
Cansado do que ouve, o homem de trás delas exclama:
- A doença que você diz ser de mulher é HPV. HIV é AIDS.
- Nossa! Paguei mico. kkkkkkkkkk (Obs.: nem a amiga viu graça em tamanha igorância. Só ela)
Enfim, sobra informação e falta conhecimento. Cada um entende o que pode e sai falando o que quer.
(Fabiana Cassim)