quarta-feira, 16 de março de 2011

Boca de Ouro, imperdível

foto e lenise pinheiro

Boca de Ouro encerra uma trilogia de Nelson Rodrigues, iniciada há cerca de dois anos, pelo Grupo Gattu, que vem apresentando esses espetáculos no Teatro Gil Vicente, nos Campos Elísios. A despeito da localização no prédio da Uniban, não é uma montagem escolar, mas profissional. Sua diretora, Eloísa Vitz, foi membro do grupo TAPA.

Boca de Ouro é, a meu ver, uma das melhores peças do grande dramaturgo brasileiro. Teve montagem não muito feliz assinada por Zé Celso e agora esta, imperdível. A peça focaliza um bicheiro safado e mandante de um morro carioca, que resolve trocar os dentes por dentes de ouro. Nos dá muita saudade do tempo em que quem faturava eram os bicheiros que comandavam favelas habitadas por cidadãos sem direito à segurança e nem à saúde, mesmo pagando impostos.

Uma parte da população e que só era “protegida” pelos chefões com suas extravagâncias e arbitrariedades, mas sem tráfico de drogas. Outro aspecto que encanta em toda a obra de Rodrigues é a verdadeira obsessão de seus personagens por enterros chiques. Seria uma característica do autor ou da classe por ele retratada?

Mas não é exclusivamente pelo texto que Boca de Ouro é imperdível, mas pela encenação englobando atores, iluminação e figurinos. O elenco é ótimo, alguns encarnando mais de uma figura com destaque para Elam Lima (o Boca) e a diretora Eloísa Vitz. Além deles, Laura Knoll, Marcos de Vuono, Marcos Machado e Daniela Rocha Rosa dão conta do recado.

Quem gosta de Nelson não pode perder e quem não gosta tanto assim deve ir para conhecer esse texto, a meu ver, excepcional em sua obra.

Maria Lúcia Candeias
Doutora em teatro pela USP
Livre Docente pela Unicamp

sábado, 12 de março de 2011

Duas belezinhas, Gabi e Dudu

Era para a foto do Gabi, Gabriel, filho da Helô e do Dani, entrar primeiro. Mas não houve meio do Dudu acordar e descer. Fica assim mesmo, com essas duas belezinhas aí, cada uma em seu momento.






Escondidinho de primeira

Sabadão preguiçoso e almoço caprichado com os amigos da Arteplural. No fogão, o chef Douglas mandou bem demais da conta, a ponto de termos de esperar um pouco para conseguir comer, digo saborear a divina sobremesa da Maria, hum..... o cheese cake mais gostoso do mundo. Que a receita de seu Escondidinho, com queijo ralado e finas fatias de calabresa, é uma loucura de boa! Sem falar nas saladas elaboradas da Helô, que trouxe até os molhos de casa. Os molhos, o Dani e o Gabi fofo. Com refrigerante na sacolinha, Rapha deu uma de barman e .... era só caipirinha de framboesa, feita com saquê. Como sempre se esquece alguma coisa, o Fer e o Edu chegaram trazendo a batata palha e os guadanapos. Enquanto isso, a Sandra cuidava de abastecer de cervejinha o copo do Doug e o seu próprio. Entre um e outro gole, já ia ando um trato na pia. Depois, foi só alegria, brincadeira com Gabi e o prazer de desfrutar da companhia de pessoas tão queridas. Puxa, a felicidade está tão perto!
















(Fernanda Teixeira)

quinta-feira, 10 de março de 2011

Elizabeth Bishop volta aos palcos



“Outro dia, numa festa, um sujeito só faltou torcer o meu pescoço porque eu elogiei o Carlos [Lacerda]: “Muito me admiram vocês americanos. Lá na sua terra você é democrata e fica escandalizada com o marcartismo. Quando botam um daqueles intelectuais de vocês na lista negra, suspeito de ser comunista, você fica indignada. Aqui acha a direita o máximo” Fiquei com vontade de dizer que a esquerda não era lá essas coisas, mas mudei de assunto”.


O trecho é do monólogo Um porto para Elizabeth Bishop, de Marta Góes. Carlos Lacerda, Lota Macedo Soares e o panorama político do Rio de Janeiro capital federal voltam aos palcos 10 anos depois neste texto bastante político – indicado ao prêmio Shell 2001. A reestreia, com a mesma Regina Braga, é dia 6, no Teatro Eva Herz, em São Paulo.


segunda-feira, 7 de março de 2011

Facebook, aí vou eu!

Entrei no Facebook depois de muito resistir. Vamos acompanhar no que vai dar. Aconteceu depois de três dias a mais de 1.200 metros de altura, no alto da montanha, na bacanérrima casa da Renatinha Pinheiro, em São Francisco Xavier. Frio, chuva, muito vinho, lareira, quatro labradoras fofas e comentários da cobertura do Carnaval na TV. Para contrastar com o calorão de fevereiro. Muito bom mesmo. E perto de quem se ama.
(Fernanda Teixeira)

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Duas peças exóticas

Em cartaz no Miniteatro da praça Roosevelt “Decifra-te Ou Me Devora” mistura vídeo e poesia. Claro que de teatro mantém a presença dos atores que declamam, ou melhor, dizem versos calmamente. O tema é lindíssimo: a paixão cega e incontrolável, dessas que não possibilita conhecer o outro porque a emoção é forte demais.

O roteiro é dos dois ótimos atores (Helô Cintra e João Paulo Lorenzon) e do diretor como sempre competente Elias Andreato. O cenário é também de Elias, os belos figurinos de Laura Andreato, e a iluminação eficiente de Marcelo Lazzaratto. É um mínimo teatro e uma peça curta, mas vale ver.

Já “AíPod” em cartaz no Nair Bello (Shopping Frei Caneca) mistura três telas de vídeo cada qual mostrando uma imagem diferente (as vezes repetidas em 2 das telas) num show maravilhoso assinado por André Hã e pelos protagonistas . Além dos vídeos há um quinteto ao vivo acompanhando os atores (Eduardo Berton e Simone Gutierrez) todos agradando muito, seja no canto ou na palavra. Mas é um verdadeiro show musical com algum papo e muito som e vídeos.

Além deles temos que citar os figurinos nota dez também da trio Andre, Simone e Eduardo assim como o cenário e a iluminação. São espetáculos que misturam várias artes destacando cada uma delas com eficiência e no caso de “AíPod” destacando muito a música mesmo considerando que é um musical. Seria um show com visual teatral completo e poucas palavras.

Vale a pena assistir as duas.

Maria Lúcia Candeias
Doutora em teatro pela USP
Livre Docente pela Unicamp

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Recordar é Viver é inesquecível

Quem ler o programa da peça “Recordar é Viver” talvez até hesite em assistir, pois parece que o brilhante autor, Hélio Sussekind, classifica os personagens que protagonizam a história como muito problemáticos - Pai doente e mãe com síndrome do pânico –mas não é bem assim.
Qualquer pessoa da platéia vai rolar de rir e certamente verá um maravilhoso retrato de sua própria família. Sem psicoses ou surtos, mas, como diria Marcelo Médice, “cada um com seus pobrema”. A intimidade que se tem em qualquer clã que cresceu junto é pouco igualável fora deste âmbito e, mesmo que resulte num enorme afeto, este será tão acompanhado pela total falta de cerimônia, a ponto de que, quem vê de fora, julgar como muito pouco respeito mútuo.

Contribuem para esse resultado impecável, a direção totalmente coerente de Eduardo Tolentino, não só no que tange à leitura apresentada pelo elenco competentíssimo, mas também no que concerne ao espetáculo, propriamente dito. A iluminação de Paulo César Medeiros tem a eficiência de sempre. O mesmo ocorre com os cenários e figurinos de Lola Tolentino totalmente adequados e de extremo bom gosto.
Lembrando de tudo, a gente fica até curiosa de saber como seriam os bastidores entre mãe e filho (Lola e Eduardo) até chegarem ao acordo sobre o visual que se vê no palco...
Suely Franco (a mãe) está arrasando a ponto de nem o Sérgio Brito (o pai) lhe fazer concorrência. José Roberto Jardim (Henrique) surpreende com a precisão com que interpreta o filho tímido que na verdade é o protagonista. Seus irmãos Paula e João (Ana Jansen e Camilo Bevilacqua) também convencem nos papéis e conquistam o público, assim como Anna Cecília Junqueira, a delicada Bruna, namorada de Henrique.

Em síntese é uma montagem maravilhosa que você não pode perder.

Maria Lúcia Candeias
Doutora em teatro pela USP
Livre Docente pela Unicamp