quarta-feira, 23 de julho de 2008

O Fusca da Renata e a festa do Tião

A produtora de teatro Renata Alvim ficou feliz da vida, com razão. Ganhou um Fusca de aniversário do marido Carlão e dividiu a alegria com alguns amigos – entre eles os meninos do elenco de Salmo 91, o diretor Gabriel Villela, as meninas da Morente Forte – Dani, Beth e as poderosas Célia Forte e Selma Morente - numa noite gostosa em um bar simpático na rua Augusta. Que é querida, Renata sabe. Sobre o carro mais popular do século 20, pode gostar de saber de algumas curiosidades. Entre elas que antes de se tornar uma febre pelo mundo, o Fusca começou a ser produzido logo depois da Primeira Guerra Mundial, na Alemanha, e que o responsável pelo projeto foi o mecânico alemão Ferdinand Porsche.

Olha só a loucura: na época, o monstro Adolph Hitler tentava reerguer a Alemanha dos estragos causados pela guerra em praticamente todas as esferas da sociedade. E um de seus projetos para agradar o povo alemão foi, justamente, desenvolver um modelo popular de carro. Os primeiros protótipos do veículo ficaram prontos no dia 10 de outubro de 1936. No Brasil, porém, o modelo chegou apenas em 1953, depois da abertura de uma filial da Volkswagen no país.

Em julho de 1967, a empresa atingiu a meta de 500 mil Fuscas vendidos. Hoje o carro que já foi o sonho dourado de muito jovem ao fazer 18 anos, é um setentão cobiçado – só no Brasil tem 55 anos. De pop, virou cult e ainda é o queridinho de muita gente - agora da Renatinha também. Em tempo: o bólido em formato de tartaruguinha - que tem apelidos pelo mundo todo - é conhecido na Hungria como Dudu. Por isso, este texto veio bem a calhar no Blog do Dudu.


No 19. andar do mesmo prédio em que moram Alcides Nogueira e Claudia Matarazzo, nos Jardins, uma imensa janela descortinava lá embaixo a avenida Paulista. O amplo apartamento foi cenário aconchegante e mais que perfeito para a festa oferecida pelo fotógrafo José Sebastião Maria de Souza, o Tião, para comemorar a estréia da peça Os Possessos, dirigida por Antonio Abujamra, na Funarte, reunindo atores bolsistas de vários cantos do Brasil.

O encontro teve clima de confraternização, um brinde ao bem-sucedido trabalho em equipe. O generoso Tião abriu sua casa porque achou que todos mereciam uma festa, depois de tanta oficina, dos exaustivos ensaios, das dificuldades e percalços acarretados por uma grande montagem com um grupo numeroso de pessoas, o rigor do diretor, as cobranças das diversas áreas, a expectativa pelas matérias, a ida dos críticos etc.

Tião foi o anfitrião dos mais atenciosos, serviu um jantar delicioso e acolheu calorosamente seus convidados. Para coluna social nenhuma botar defeito. E ainda com direito à companhia da Belinha, mulher do Abu, e da atriz Etty Frazer, a surpresa que o fotógrafo convidou especialmente para os jovens atores conhecerem

(Fernanda Teixeira)

segunda-feira, 14 de julho de 2008

A música e os sonhos

Preciso me apresentar. Meu nome é Lívia, tenho 20 anos e entrei aqui como estagiária faz pouco mais de duas semanas. Li o último post da Fernanda e senti vontade de contar minha história também. Pena que não tenho muito o que escrever, ainda nem me formei!

Estou no último semestre do curso de jornalismo da Universidade Metodista e já trabalhei em assessoria de imprensa de moda e turismo, em redação de site de baladas e colaboro para o Banana Mecânica, um site sobre música independente nacional que eu tenho um imenso carinho.

A vaga aqui caiu como uma luva para mim, estou adorando, demorou! Esses dias a Vanessa comentou comigo sobre a Tigarah, que ela foi ver para a assessoria quando eu ainda não trabalhava aqui! Eu gosto muito da cantora e não pude ir a nenhum show. Imagine a minha reação quando ela disse isso!

Até agora pude conferir a discotecagem do KL Jay, a peça Acqua Toffana, o show do B Negão e a peça de spoken word Vai Te Catar!!! (que é incrível, recomendo!). Foi legal porque estou tendo oportunidade de abrir minha cabeça para outros estilos musicais. Essa semana terá Era Iluminada, com Tom Zé, Júpiter Maçã e outros, também estou super empolgada.

Vocês já devem ter percebido que meu negócio é música mesmo (pelo menos as meninas aqui já). Quem sabe eu não dou algumas dicas por aqui mais tarde...

Sobre o futuro... Não sei, meio que deixo a vida me levar, meus sonhos mudam a cada semana, a cada nova experiência. Mas, de qualquer forma, estou muito satisfeita. Até agora está dando certo. Caí aqui.

(Lívia Pereira)

domingo, 6 de julho de 2008

Mil coisas, sei lá...




Não sei por que, desde cedo sabia que a vida me reservava muito trabalho. Sonhava ser jornalista, ficava imaginando trabalhar em um grande jornal. Devorava a Folha e o Estado, lia os cronistas todos, observava seus estilos, queria viver de escrever. Sobre cultura, comportamento. Antes dos 18, prestei vestibular para Direito e Jornalismo. Passei nos dois e até hoje respiro aliviada por ter escolhido o segundo. Matei a sede de redação durante oito anos, já na era do computador.

Tímida, me armei de coragem e, com uma ponta de ousadia, entrei na redação do antigo Leia Livros, na rua General Jardim na maior cara de pau, pedi trabalho para Caio Fernando Abreu, que passou a primeira pauta da minha vida: escrever uma resenha sobre um livro de cinema de Inácio Araújo (O Cinema Industrial Americano). Fiz a matéria na pequena Olivetti Lettera 33. Peguei gosto pela coisa e por aí foi. Aprendi muito com meu primeiro editor, Carlinhos Brickmann, na Folha da Tarde (na época editada por Adilson Laranjeira), hoje Agora. Entrei na editoria de Polícia, convivendo com jornalistas que, naqueles tempos, eu achava bem esquisitos, um linguajar estranho. Quando estava decidida a desistir do emprego – era intragável escrever e traduzir os telex com notícias sangrentas de assassinatos, estupros etc -, Wladyr Nader me resgatou para o Show, o caderno de variedades. Escritor, homem culto, Nader era rigoroso com os textos e me deu dicas valiosas sobre música, teatro, literatura, cinema e, principalmente, sobre jornalismo. Depois, tive o privilégio de ser repórter do Edson Paes de Mello (na foto com os produtores da Mesa 2, Fernando Cardoso e Roberto Monteiro), quando ele editava o caderno de variedades do JT, redação fervilhante, com César Giobbi, Sergio Roveri e Edmar Pereira como repórteres especiais - além de Alberto Guzik como crítico de teatro. Era o máximo quando Edson pedia crítica de show, como o do BB King, nos anos 90, no antigo Palace.

No Estadão, fui frila fixo durante mais de ano. Ficava com o coração sobressaltado de ansiedade quando a Marta Góes, que eu já admirava, ligava no meu celular passando uma pauta. Na gestão do José Onofre, no mesmo jornal, trabalhei para Leila Reis no caderno 2, seção O Melhor de Tudo, e para Luis Antonio Giron, escrevendo sobre música – um luxo, eu entrevistava os artistas criticados por ele – do baterista Robertinho Silva a Lobão, passando por Gudin, Vânia Bastos e todos os bacanas da música brasileira.

Nesse tempo sempre rolou bastante trabalho, como frila ou repórter de uma equipe de jornal. Teve ainda Diário Popular, Shopping News, Revista Contigo.... Dez anos depois, agora em assessoria de imprensa, o trabalho não é menor, pelo contrário. Nesse fim de semana, para se ter uma idéia, passei no show do Yamandu Costa sexta à noite, no SESC Pompéia; fui à estréia de Irene Ravache, sábado, em A Reserva, de Marta Góes, no Teatro Cosipa Cultura, e ainda deu tempo para conferir duas exposições (A História dos Quadrinhos nos Brasil, no projeto HQ Férias do SESC Pompéia; e Toy Art, no Sesc Avenida Paulista). Semana que vem, entre outras, tem a estréia da nova peça do Grupo Tapa, dirigida por Eduardo Tolentino, no Teatro Imprensa, dia 11. E já vamos preparando Cordélia Brasil, de Antonio Bivar, que chega com a atriz Maria Padilha dia 25 de julho.

A variedade de assuntos fascina e o ritmo, às vezes, parece esmagar a alma de repórter. Besteira. Oxigeno as idéias no dia-a-dia movimentado. Quando a gente nasce com esse bichinho do jornalismo na veia, não em jeito. De um lado ou de outro, é um prazer, um modo de vida enxergar o mundo com essas lentes. E ainda prometo arrumar tempo (demorou!) para tocar um projeto importante, o do livro junto com o amigo Roberto Guastaferro.

(Fernanda Teixeira)

quarta-feira, 25 de junho de 2008

É isso aí, mano!

Uma das coisas mais bacanas quando se trabalha com SESC é ter a oportunidade de mergulhar fundo em um universo diferente sempre que o mês muda. Eu já fui especialista em cabelos, falei muito sobre samba, comemorei com fervor o 100 anos da imigração, aprendi várias coisas sobre o ska e hoje sou quase um mano e estou descobrindo o universo do hip-hop.

Em uma das avenidas mais movimentadas da cidade, a cultura dos guetos (será que isso ainda é real hoje? Fica a dica para uma reflexão...) toma conta de um andar inteiro da Unidade Provisória SESC Avenida Paulista com o projeto Teatro Hip-Hop, do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos.

Até 10 de agosto, quem der um pulinho até lá vai poder conferir, além das cinco peças inéditas do grupo, uma ambientação muito bacana que apresenta todos os elementos do hip-hop (tem iconografias de pichação que foram encontradas em São Paulo desde a década de 80) e traz uma linha do tempo que conta toda a história do movimentos e traz capas de discos de artistas como James Brown e Public Enemy. Além disso, toda quarta o SESC se transforma em balada e recebe um DJ para animar a pista montada no 5º andar da unidade. As peças são baratinhas e a exposição é de graça! Sem desculpas para não aproveitar.

(Vanessa Fontes)



terça-feira, 17 de junho de 2008

Diário de Maceió

O povo de Maceió gosta de uma boa conversa. Não perde tempo para contar histórias, ainda mais quando percebe que está falando com alguém de fora. No calçadão da praia ou nas lojinhas de artesanato, saciamos a sede por curiosidades ao ouvir os outros falarem. Por isso, andar a pé pela cidade era o passatempo preferido.

Na ótica - Depois de mostrar alguns pares de óculos, a balconista era quase amiga íntima. Não compramos nada, em compensação batemos um papo comprido e inusitado. Começamos pelo tema violência na terra dos coronéis. Entusiasmada, ela contou cada detalhe do crime bárbaro ocorrido na cidade há uns 20 anos, o do cara que levou uma surra daquelas e foi costurado vivo dentro da barriga de um boi.

Em tempo: à noite, o telejornal local noticiava o assassinato de um suplente de vereador assassinado a pedradas e jogado na Lagoa Mundaú.

Na ótica 2 - Colando os assuntos, sem ponto de edição, animou-se ao lembrar da senhora distinta, elegante, que entrou na loja, as chaves do carro nas mãos, acompanhada da filha à procura de óculos de sol. Para a freguesa experimentar com mais conforto, a balconista ajeitou o espelho de forma que ela pudesse ver se o modelo ficava bem em seu rosto. Espantada, a cliente deu um grito e virou bruscamente o rosto, rejeitando a gentileza.

Refeita do susto, contou que – por trauma de infância, quando tinha a cara salpicada de espinhas – não se olha no espelho há mais de 30 anos. Nunca mesmo, repetia impressionada Lúcia, a balconista loira e simpática, que ficou com a pulga atrás da orelha: como será que ela consegue dirigir sem olhar no espelho retrovisor?

No posto policial - Caminhando à noite de volta para o hotel, o policial do Posto de Informações nos aborda para avisar:
- Tome cuidado com o celular nesse pedaço da praia.
Eu tinha acabado de atender uma ligação e ainda estava com o aparelho na mão.
Depois da recomendação e de ser informada por ele que Maceió não tem efetivo suficiente para combater a violência – nem carros, nem armas, nem nada (um alento e tanto para quem estava chegando de férias!) -, foi a vez de seu celular tocar. Ele olhou o número e não atendeu.
- Estou me divorciando, não atendo número desconhecido. Fui casado anos, meus filhos são grandes, já sou vovô, ela engordou, nem parece a mulher com quem me casei. Agora estou nas audiências da separação e preciso ter cuidado. Os olhos brilhando pela oportunidade de ter ouvintes, o guarda não pararia de falar até que rolou uma desculpa para cairmos fora.

No táxi – Escapando de uma batida (o trânsito na cidade é muito louco, todos correm, cruzam as pistas, encostam no carro da frente, buzinam e costuram sem dar sinal), o motorista conta que a maneira mais fácil de se livrar de um cadáver é jogá-lo na foz do Rio São Francisco. Lá os tubarões comem tudinho, não sobra nada, disse, comentando ser essa prática comum até hoje.

Na lojinha de artesanato - Voltem amanhã, daí vocês podem ver tudo com mais calma. Hoje eu e vocês estamos cansadas. (Ainda faltava meia hora para a loja fechar e a vendedora, com dor de cabeça, foi bem sincera.)

(Fernanda Teixeira e Sandra Polaquini)

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Confissões das Mulheres de 30

Confissões das Mulheres de 30, peça que fez muito sucesso na década de 1990, retorna agora em nova montagem. Com direção de Fernanda D'Umbra, traz Juliana Araripe, Melissa Vettore e Camila Raffanti no elenco. As atrizes são conhecidas da TV pelo trabalho na série Mothern, do GNT.
Sexta-feira passada acompanhei a coletiva de imprensa que aconteceu no Teatro Folha. A Juliana Araripe não pode participar porque estava no Rio gravando um episódio da série Dicas de um Sedutor, com o Luis Fernando Guimarães. Mas com essas meninas, animação e muito assunto nunca faltam. A coletiva rendeu muito papo e boas risadas. A peça estréia quarta-feira, dia 11 no Teatro Folha. Imperdível!

(Adriana Balsanelli)

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Klébi, letrista inspirada e cantora madura


Daqui, novo CD da cantora e compositora Klébi Nóri, é uma delícia. Bem produzido, com os mesmos músicos que a acompanham desde o começo da carreira - Bosco Fonseca (baixo), José Antonio Almeida (teclados), Ney Marques (violão e guitarra), Dadi Amil (bateria) e Adriano Busko (percussão) -, mostra que a artista continua uma letrista inspirada e uma intérprete cada vez mais madura.

Muito bem selecionadas, as 13 canções - 11 de autoria de Klébi, uma em parceria com José Antonio Almeida (Fiz) e outra de Roberto Correa e Sylvio Son (Te Amo) - têm uma unidade, fazem o disco ser um prazer de ser ouvido, do começo ao fim. Com arranjos delicados, Bens e Te Amo abrem e fecham o CD, respectivamente, com ares de romance escancarado. Piano e voz, a última tem melodia lindíssima.

Levada mais marcada, ritmada, o trabalho segue gostoso com a pop Completo Conteúdo e a delicadeza das baladas A Gente não sabe Nadar, Saiba Você, Susi e Perdão com Poesia. Bom gosto musical carimbado, Klébi está cantando como nunca. Solos de guitarra, Fiz é um roquinho que tem a identidade da compositora, na letra e na música. Com outra pegada, Corcovado sem seu Senhor é onde o pop flerta com o samba, com direito a tamborins. Tem letra bem sacada, divertida, que brinca com símbolos do Rio e São Paulo – mistura Flamengo, Candelária, Copacabana, Farme de Amoeda e Maracanã com Pico do Jaraguá, zona oeste de São Paulo.

Os teclados de José Antônio Almeida dão o tom a Meu. Outra letra de boa safra, Madame X retoma o pop rock, com influência de Rita Lee - não sei se Klébi percebeu, mas o resultado tem esse pique - e é muito bom. De novo só o teclado recheia a canção de amor Noite Divina, também muito bonita. Em outra levada, mais marcada, o disco traz, ainda, A Última Cidade do seu Mapa. Parabéns, Klébi! Eu recomendo Daqui pra todo mundo.

(Fernanda Teixeira)