sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Peter e Wendy, para você descobrir que não cresceu

Sábado passado levei minha amiguinha de 4 anos para assistir Peter Pan e Wendy com Alexandra Golik e Carla Candioto, da premiada Cia Le Plat du Jour, em cartaz no teatro Alpha. Confesso que levar uma criança para assistir essa divertida montagem do clássico do escritor escocês J.M. Barrie foi apenas um pretexto, na verdade, eu estava louca para ver um infantil dessa dupla que tem um respeitado trabalho. Sem efeitos especiais mirabolantes, vôos fantásticos ou uma super produção arrasa quarteirão, as competentes atrizes contam a história com incrível bom humor, incorporando uma linguagem atual capaz de instigar a imaginação da criançada. Cenário, figurinos e adereços assumem múltiplas funções, como a cama de Wendy que se transforma em nuvem, em casa e até no navio do Capitão Gancho. A fada Sininho é uma bolinha de luz que ganha vida através da movimentação que as atrizes dão a ela. Alexandra e Carla interpretam Peter Pan e Wendy, respectivamente, além de se revezarem em vários outros personagens com surpreendente agilidade, aliás, como tudo nessa montagem. Difícil saber quem se diverte mais, as crianças ou os adultos. Vale a pena conferir. Se você não tem filhos, convide um amiguinho. Você vai descobrir que não cresceu.

(Adriana Balsanelli)

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Espaço dos Fofos Encenam

A cia teatral Os Fofos Encenam vão inaugurar sua sede no próximo dia 16 de novembro. O lugar, assim como os integrantes do grupo, é uma fofura só. O mais bacana é ver que todos estão colocando a mão na massa para tudo ficar do jeitinho que eles querem.

Peguei emprestado as fotos da Ligia Jardim para mostrar alguns detalhes que eu gostei.

As placas que indicam os banheiros dos meninos e das meninas.
O mosaico do banheiro.
Sant'Ana, pode-se dizer a padroeira do espaço.

Sal grosso, pimenta e alho para espantar
a inveja e proteger (essa foto é minha)


Alex Gruli colocando a mão na massa
(esse também é um clique meu).


(Vanessa Fontes)

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

A menina do raio e do trovão

De repente, a menina levantava sobressaltada da cama. No terreno descampado onde ficava a fazenda em que a família morava, administrada por seu pai, a ventania varria as árvores recém-plantadas, deixando no ar um zumbido aterrorizante. No céu, os raios riscavam de amarelo vivo as nuvens cor de chumbo. Cada estrondo de trovão arrepiava até a alma. O dia virava noite. Com o coração na boca, os olhinhos negros arregalados, ela morria de medo. Um medo assim quase paralisante, quase. Tinha oito anos e na hora desses temporais não sei o que passava pela cabeça dela, talvez o pensamento de que alguém tinha de fazer o serviço de proteger a mãe, o pai e o irmão menor. Tanto que não deixava ninguém levantar da cama. Tremendo mas determinada, se armava de coragem para ir fechar janelas e garantir que portas estavam fechadas. Depois, respirando um tantinho mais aliviada, voltava e se agarrava aos três na mesma cama de madeira. Era sempre assim quando chovia forte na fazenda, no Interior de São Paulo.

Depois, com 11 para 12 anos, o pai ensinou-a a dirigir o caminhãozinho usado por ele para buscar e levar os bóias frias da cidade para a fazenda. Certo dia, ele - que passava o dia trabalhando na sede ou cuidando de questões adminsitrativas na cidade, com o fazendeiro - demorou a retornar e os trabalhadores não tinham como voltar para casa. Ela não pensou duas vezes, mandou todos subirem na caçamba do caminhão e assumiu a direção, sem nem bem alcançar os pedais, na ponta dos pés, guiando pela estradinha de terra cheia de solavancos, o peito estufado de orgulho. Depois levou bronca do pai, que não escondeu a pontinha de orgulho pela filha. Pegou gosto pela coisa e sempre que dava uma chance dirigia o carro do dono da fazenda. Para ela, era uma grande brincadeira. Quando ouvia, ao longe, o barulho do motor do avião, indicando que o fazendeiro estava chegando, ela pedia ao pai se poderia buscá-lo. Ao primeiro sim, corria para pegar as chaves do Opala quatro portas, hidramático, e seguia para buscar o patrão no campo de pouso construído na fazenda.

A vida era boa. Como não tinha luz elétrica, a família - formada também pelos tios e primos que moravam na casinha vizinha, na mesma fazenda - se reunia em volta de lamparinas para contar histórias. Durante o dia, sentavam no pomar com a mãe para comer frutas - pêras, pêssego, maça, manga. As crianças gostam de brincar de estilingue e de pegar vagalumes. Aos domingos, todo mundo se arrumava para ir à missa, na cidade. Todos iam a cavalo ou de charrete. Ela lembra muito bem do dia em que ganhou uma bicicleta que o Papai Noel havia deixado na casa da avó. No primeiro passeio, um tombo levou-a para o Degrande, um senhor conhecido na cidade por consertar, ou melhor, dar um jeito no mal jeito. Com um polegar avantajado, ele resolveu o problema do nervo encavalado da menina.

Quando chegou a idade de ir para a escola, aos 6 anos, a menina passou por maus bocados. Como a casa ficava longe da cidade, para poder estudar ela teve de ir morar com a avó, perto do colégio. Foram dias muito difíceis aqueles. Toda noite era uma choradeira danada. Ela não se conformava, e nunca se acostumou, morria de saudade da mãe e do pai. Além do que não entendia direito por que, de uma hora para outra, tinha de ficar longe deles e a vida ficou tão triste. Foram várias tentativas de arrumar uma carona com vizinhos para poder dormir na fazenda. Algumas vezes, mesmo sem ter que sair, um ou outro amigo não resistia e levava a menina.


O tempo passou, a menina cresceu e foi morar na capital, em uma pensão na Bela Vista. Tinha 19 anos e começou a trabalhar para juntar dinheiro e fazer uma faculdade. No começo, era uma dureza enfrentar a hora de voltar para casa e encarar a solidão na pensão que ficava numa travessa da rua Frei Caneca, perto da Praça 14 Bis. Chorava toda noite. Esperta que era, experimentou testar o trajeto do ônibus para o trabalho no dia anterior para não errar e chegar atrasada no primeiro dia. Mas sem nenhuma familiaridade com a cidade grande, pegou muito ônibus errado.

Da pensão para a república, dividida com dois amigos do peito, foi um pulo. Apartamento alugado, os três saíram para comprar um colchão de solteiro para o único deles que não tinha descolado onde dormir. A aventura aconteceu na Teodoro Sampaio. O colchão foi alvo de todos os olhares, já que voltou para casa de ônibus, enrolado em uma corda. De tão felizes, os três resolveram estrear a nova casa mesmo sem ter a luz ligada. Depois de 15 anos em São Paulo, a menina que tinha medo de raio e trovão conseguiu comprar seu apartamento. Obstinada, mais tarde construiu uma casa na mesma cidade onde sua família mora até hoje. Gente boa, um serzinho apaixonante, abençoado por Deus e rodeado de bons amigos, continua a levar uma vida simples e feliz. De vez em quando, o medo de enchentes nas ruas de São Paulo ainda a faz lembrar de quando era pequena e detestava tempestade.
(Fernanda Teixeira)

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Um Boêmio no Céu - Bastidores

Após sete anos longe dos palcos de São Paulo, o ator José Mayer estreou o espetáculo Um Boêmio no Céu, no SESC Vila Mariana. O assédio da imprensa ao galã global foi intenso desde a chegada dele a capital paulista no dia 16 de outubro. Inúmeros pedidos de entrevistas “pipocam” diariamente nos nossos e-mails. São emissoras de TVs e rádios, sites, jornais e revistas. Todos querem falar com o ator, que teve aulas de canto para interpretar as 10 canções do espetáculo.
A peça, único texto de Catullo da Paixão Cearense para o teatro, toda em versos decassílabos, fica em cartaz até 18 de novembro e mostra o encontro no céu de um trovador boêmio (José Mayer) com São Pedro (Antonio Pedro Borges) e Santo Onofre (Aramis Trindade), observado por um anjo (Kátia Brito).
(Frederico Paula)

encontro com jornalistas

batalhão de fotógrafos

entrevista para TV

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Oniforma

Está em cartaz no Centro Cultural São Paulo a exposição Oniforma, que apresenta o resultado da atividade desenvolvida por Claudinei Roberto e Eurico Lopes desde 1997. As exposições já foram apresentadas em diversos espaços alternativos da cidade de São Paulo. A mostra no CCSP reúne a obra de 32 artistas participantes deste projeto e pretende revelar a força de um trabalho alternativo de artistas jovens, arrojados e oriundos, em sua maioria, do Depto. de Artes Plásticas da ECA-USP. Recomendo, principalmente pela obra de Andréia Lucena, artista que começou há pouco tempo nas artes plásticas e vem exibindo sua arte em diversas galerias.
De terça a sexta, das 10h às 20h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h - Piso Flávio de Carvalho

(Adriana Balsanelli)

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

É tudo uma questão de respeito

Não sou fumante e detesto o cheiro de qualquer tipo de cigarro. Estou acostumada a ir em shows e sair com o cheiro de cinzeiro (menos no SESC). Fui à apresentação da banda Incubus no antigo Palace e uma cena me espantou: como de costume, lá estavam os avisos gigantescos para não fumar. Ficam pendurados de enfeite, comentei com meu namorado, pois as pessoas têm o péssimo hábito de não respeitar.
Começou o show e umas gurias na minha frente riam com seus bastões fedidos queimando entre os dedos. Aquilo foi me irritando, me irritando, quando apareceu o segurança e pediu para elas apagarem o cigarro. As moças reclamaram, fizeram bico, chamaram o rapaz por nomes nada delicados,mas, devido à insistência do héroi da minha noite, apagaram o cigarro. Isso se repetiu algumas vezes ao longo do show.
Não tenho nada contra os fumantes, mas acho que, a partir do momento que uma pessoa resolve usar algo que faça mal não somente a ela, mas às pessoas que estão ao seu redor, a minha opção saudável tem que prevalecer. É uma questão de direito e respeito. Pena que muita gente não entende isso e me chama de careta.
(Vanessa Fontes)

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Trocando idéias

A dona de casa e o pintor
- Vou ficar de olho no seu trabalho, para garantir que o serviço vai sair direitinho e não sobrará um cantinho sem pintura, disse a mulher.
- É eu sei, trabalhar para mulher é pior que trabalhar para homem. Mulher tem olho acrílico.

A dona de casa e pintor 2
- Até quando você me dá o orçamento para fazer o serviço?
- Pode deixar que até quarta-feira eu dou uma exposição pra senhora.

O encanador
- Tranqüila, dona. Pode deixar que vou consertar toda a encanação do seu apartamento.

A arrumadeira para a dona de casa
- Eu não sou dessas pessoas que acordam de mal amor, não.
(Sandra Polaquini)