segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Cinema mais barato

Já faz alguns meses que produtores e donos de estabelecimentos de entretenimento (cinemas, casas de shows e teatro) lançaram uma campanha – com amplo apoio dos veículos de comunicação, que ganham grana com os anúncios milionários – que denunciava o uso de carteirinhas falsas de estudantes. O coro dos empresários é que a meia-entrada para estudantes é uma das principais causas para o alto valor dos ingressos, principalmente em São Paulo.

A campanha já mostra resultados, pois a rigidez em se vender ingressos para pessoas com carteirinhas estudantis é notória. Meu sobrinho de 11 anos não pagou meia-entrada para assistir o novo filme de Harry Potter, pois ele não tem a carteirinha. Conclusão: o cinema não concedeu o ingresso mais barato. Será que um garoto de 11 anos não está na escola? Hoje em dia, além da carteirinha, é exigido também o atestado de matrícula e, no caso de faculdades pagas, o boleto do mês vigente devidamente quitado.

Agora vem a pergunta. Quando teremos ingressos mais baratos? Atualmente a fiscalização é maior e a justificativa para os preços abusivos (R$ 17,00 a média de uma sessão de cinema, R$ 80,00 o ingresso mais barato para ver Marisa Monte e R$ 100,00 a apresentação de Madeleine Peyroux) era a quantidade absurda de meias-entradas com carteirinhas falsas. Será que ficarei sonhando com redução de preços? Temo que sim.

O que eu queria ver é a imprensa começar a fazer matérias sobre o impacto dessa campanha. Quantas meias-entradas foram vendidas? Houve uma diminuição ou foi a mesma coisa? Uma comparação com outros meses também seria bem vinda nesse momento. Mas será que os veículos de comunicação podem “bater de frente” com seus anunciantes?

Pelo menos esse buxixo todo trouxe a tona um debate interessante sobre a meia-entrada, benefício que existe desde os anos 30, com o fim de facultar aos estudantes acesso menos oneroso a produtos culturais em complemento à sua formação. Vamos aguardar e exigir ingressos mais baratos. Afinal foi uma promessa da campanha dos empresários. Não quero acreditar que eles são iguais aos nossos políticos que prometem, mentem e não cumprem.
(Frederico Paula)

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Misteriosa Dona Esperança




A foto acima é a capa do novo CD da cantora Vania Abreu, Misteriosa Dona Esperança, o sexto de sua carreira. Produzido por Serginho Rezende, co-produzido por Vania, já está nas lojas, com distribuição da Tratore. As onze faixas, escolhidas com o carinho e respeito à música que Vania sabe tão bem fazer, trazem duas regravações, Embola Bola, música do primeiro LP de Djavan, de 1976, e as canções O Que Foi Feito Devera (Milton Nascimento/Fernando Brant) e O que foi feito de Vera (Milton Nascimento/Marcio Borges), reunidas em uma única faixa - cuja primeira gravação foi no Clube da Esquina e belissimamente interpretada por Elis Regina e Milton Nascimento - que ganha força e emoção na releitura de Vania, privilegiada pela utilização sensível e eficiente de percussão. Destaque, ainda, para as inéditas Diga Que Me Ama (Péri), Moda de Viola (J. Veloso) e Misteriosa Dona Esperança (Carlos Careqa).

O repertório do disco e sucessos de sua carreira podem ser conferidos em shows nos dias 29 e 30 de setembro no Sesc Pinheiros.


(Adriana Balsanelli)

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Mundo animal

Às vezes, é difícil lembrar que estou trabalhando pertinho da avenida Brigadeiro Luis Antônio, 23 de maio e a poucos quarteirões da avenida Paulista. O fato desse trecho da Manoel da Nóbrega ser bem tranqüilo aliado com a proximidade do Parque do Ibirapuera me faz esquecer que estou encravada no centro de uma grande metrópole.

Algumas visitas ilustres também costumam contribuir para esse sentimento. Em algumas tardes de trabalho, costumo parar o que estou fazendo e presto atenção nos periquitos verdes que pousam no telhado da casa vizinha. Apesar do tamanho, os pequenos pássaros fazem um enorme barulho e alegram meu dia.
(Vanessa Fontes)


segunda-feira, 10 de setembro de 2007

20 anos para comemorar uma vida inteira pela frente

Depois de fazer 50 anos, o amigo Carlos Jong anda feliz da vida. Cheio de planos, resolveu comemorar a vitória depois de tanta barra pesada, que a vida nunca deu mole pra ele, não. Cara de sorte, abençoado pelos deuses, sobrevivente do fundo do poço, resolveu dar um pé no inferno astral e aproveitar cada minuto deste segundo ato. Não imaginava chegar aos 50 anos, pensou que morreria na faixa dos 30. Por tamanha felicidade, decidiu fazer um balanço geral, da família, dos amigos, dos amores, das dores, das alegrias e tristezas, dos vícios, enfim, de tudo.

Paciente terminal ao 30 e poucos anos, venceu o prazo de validade de três meses, decretado pelo primeiro médico, o especialista frio e preconceituoso logo substituído pelo profissional humano e afetuoso que se tornou amigo e confidente. Dos primeiros sintomas ao diagnóstico, as passagens mais importantes desta trajetória serão resgatadas com o humor e a força, marcas tatuadas de sua personalidade.

As dolorosas lembranças do rigoroso setor de isolamento do hospital, onde foi protagonista de filme de ficção científica - a cama envolta em uma espécie de bolha de proteção, com orifícios por onde enfermeiros ministravam remédios e alimentação. A infecção generalizada, sedação, drogas para apagar e acordar, UTI, contato zero com o mundo exterior. A família, acabada; os amigos, transtornados.

Chegado numa terapia alternativa - reike, cromoterapia e meditação –, ele teve de encarar o choque da medicina alopata e tirou de letra. Ele passou por cada uma! Merecia mesmo um livro a incrível história desse cara sensível, humano e engraçado, biólogo de formação, descendente de italianos. Da dedicação ao trabalho com controle de qualidade em uma grande empresa do ramo alimentício ao carinho com os animais, esse devoto de São Francisco de Assis também perdeu casa e carro em enchente, depois de superar um câncer, outro grande desafio.

Só não perdeu a garra, porque seu santo é forte, deve ter o corpo fechado, o danado, e a cabeça feita. Cabeça feita pelo carinho e apoio da família, além dos amigos, sempre por perto e dentro do coração. Ainda não tem data, mas você provavelmente vai ler sua história de dor e alegria, coragem, amor e, acima de tudo, a história desse homem bonito, bem-humorado, generoso e especial. Em breve você vai se emocionar e rir com esse ser que, provavelmente, chegará aos 90 dando cambalhota e tapa na pantera.

(Fernanda Teixeira)

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Futebol, teatro e batizado

Já que a coisa está difícil nos gramados daqui, depois de perder para São Paulo (1 a 0) e Cruzeiro (5 a 0), precisamos acreditar na vitória do Palmeiras contra os adversários cariocas. O Verdão vai me dar muita alegria se bater o Botafogo hoje à noite, como fez com o Flamengo (4 a 2) e Fluminense (1 a 0).

Enquanto dou um tempo dos estádios - que eu gosto mesmo de ir para ver o Palmeiras ganhar - aproveito para recomendar Amigas pero No Mucho, de Célia Forte, em cartaz no Teatro Frei Caneca, às terças-feiras. Supersticiosa, vou guardar de recordação o ingresso da primeira peça da minha amiga. Que venham muitas outras!

Por enquanto é isso. Estou ansiosa e de malas prontas para pegar a estrada rumo ao curso de batismo. Para ser madrinha do Pedro Miguel, terei umas aulinhas. Não estou me agüentando de tanta felicidade. Fui.

(Sandra Polaquini)



quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Mas não é charme?

Desde que entrei na Arteplural descobri que é fundamental saber o passado, o presente e, se puder, o futuro de quem é pauta na mídia. Principalmente se eu não quiser ser motivo de risos na hora do café com os meus colegas de trabalho.

Cheguei a essa conclusão depois de uma trauma que sofri. Com tanta polêmica em torno da biografia não autorizada do Roberto Carlos, acabei descobrindo que ele não tinha uma perna. Fiquei chocada. "Como?" Caso semelhante eu só conhecia o do Vagner Montes.

Agora tudo se encaixa. Sempre vi que naqueles shows de final de ano ele não se movimentava muito pelo palco. Mas para quem tem título de Rei e fama de galanteador da Jovem Guarda, eu achava que aquela gingadinha no andar era um charminho. Assim como a risada, o corte do cabelo... Para mim, tudo fazia parte do caricato rei do iê-iê-iê.
(Fabiana Cassim)


segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Turbilhão de emoções

Tudo começou em novembro de 2006, mais especificamente no dia 29 do penúltimo mês do ano. Depois de alguns meses de tentativas, alarmes falsos e muita ansiedade, finalmente o resultado tinha dado positivo. Paula e eu estávamos grávidos. A notícia foi muito comemorada por todos: família, amigos e o pessoal do trabalho. Foi exatamente ai que comecei a passar pelas melhores emoções da minha vida. Claro que nem tudo foram flores, mas, posso afirmar que as coisas boas superam as que não foram tão boas assim.

Imediatamente, começamos a comprar coisas e ganhar outras. O escritório de casa foi sendo desalojado para dar lugar ao quarto do futuro herdeiro. A barriga dava sinais de crescimento, mas nossa expectativa era maior, e para nós já era a maior barriga do mundo. Em janeiro, a primeira grande notícia. Depois de um ultra-som o médico confirmava: É um menino!

Foi assim que o Caio foi chegando a nossas vidas. Vê-lo no ultra-som era uma delícia. Sim, eu como pai coruja, fui a todas as consultas do ginecologista. Curti cada momento da gravidez da Paula. As mexidas, os pontapés, as conversas. Até comprei um livro e lia histórias todas às noites para ele. E o danado, mesmo dentro da barriga, já ditava algumas mudanças. Compramos um carro novo (com quatro portas, para melhor locomoção dele), além de outros acessórios como máquina digital e TV a cabo (já que a Paula passaria um bom tempo em casa), entre outras coisas. Minha avó dizia que filho traz prosperidade, mas na época dela não havia cheque especial!!!

E foi assim, que no dia 2 de julho às 22 horas, o Caio nasceu. Percebi, então, que o cara ia ser boêmio. Tremi. Lá se vão as minhas noites. Assisti ao parto, fotografei, chorei, ri e rezei para que Deus abençoasse esse pequeno menino. Depois da enxurrada de visitas, em três dias estávamos em casa. Ontem ele completou dois meses. Teve bolo, parabéns e brigadeiro. Nesses 60 dias, descobri como um ser humano tão pequeno pode encher tanto meu coração de alegria. Cada risada que ele dá (é, ele já me reconhece!) é um bálsamo. Não há cansaço ou tristeza que não se dissipe.

Muitas pessoas me perguntam se estou dormindo bem e se uma coisinha tão pequena não dá trabalho. Eu só posso afirmar que entre fraldas sujas, noites mal dormidas e um choro, às vezes incessante, eu sinto uma alegria sem fim. Caio, seja bem vindo a esse mundo. Te amo.

(Frederico Paula)

PS: o desenho abaixo é obra dos competentes e maravilhosos publicitários Nani Gaspar e Felipe Racca, que coincidentemente, são os padrinhos do Caio.